Em uma cerimônia carregada de simbolismo e desafio, Delcy Rodríguez foi formalmente empossada nesta segunda-feira (5) como presidente interina da Venezuela, consolidando a linha de sucessão constitucional do país após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos. O ato, conduzido na Assembleia Nacional, representa a mais forte mensagem de continuidade institucional e resistência do governo bolivariano até o momento.
Perante o presidente do parlamento, Jorge Rodríguez, a nova líder fez um juramento emocionado, afirmando assumir o cargo “com dor pelo sofrimento causado ao povo venezuelano após uma agressão militar ilegítima”. Ela se referiu a Maduro e à primeira-dama, Cilia Flores, como “dois heróis que temos como reféns nos Estados Unidos”.
Com a voz embargada, Rodríguez prometeu “não dar descanso ao meu braço nem repouso à minha alma para ver a Venezuela no pedestal de honra histórico que lhe corresponde como uma nação livre, soberana e independente”.
A base legal e o chamado à unidade
A posse formaliza a decisão emitida no sábado (3) pela Sala Constitucional do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), que invocou a “ausência forçosa” do chefe de Estado para empossar a então vice-presidente, garantindo a operacionalidade do governo.
Em seu discurso, Delcy Rodríguez fez um apelo à unidade de todos os setores políticos, sociais e econômicos da Venezuela para “levar o país adiante nestas horas terríveis de ameaça”. Invocando o discurso histórico de Simón Bolívar, ela jurou garantir um governo que proporcione “felicidade social, estabilidade política e segurança”.
Ao final da cerimônia, Jorge Rodríguez proclamou: “Fica você, cidadã Delcy Eloína Rodríguez Gómez, investida no cargo de presidente encarregada da República Bolivariana da Venezuela”. O ato consolida a resposta institucional venezuelana à tentativa de Washington de gerar um vácuo de poder, estabelecendo um comando claro e legítimo, sob a ótica de suas leis, para navegar a crise mais grave de sua história recente.






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