É um escândalo que deveria parar o mundo. O pilar central da justificativa dos Estados Unidos para invadir a Venezuela, a acusação de que Nicolás Maduro liderava o “Cartel de Los Soles”, simplesmente ruiu. Em uma nova peça de denúncia apresentada após o sequestro, o Departamento de Justiça americano praticamente eliminou a menção ao suposto cartel, a mesma organização que eles usaram para taxar Maduro de “narcoterrorista” e justificar uma guerra.
Na denúncia original de 2020, o termo “Cartel de Los Soles” aparecia 33 vezes. Maduro era seu líder. Agora, na nova peça, o termo surge apenas duas vezes, de forma genérica, e a acusação de liderança desapareceu. A narrativa que sustentou uma invasão, que causou mortes e que levou um presidente a uma jaula em Nova York foi silenciosamente jogada no lixo por seus próprios criadores.
Então, a pergunta é inevitável e estarrecedora: por que diabos Nicolás Maduro ainda está preso?
A mentira que todos já sabiam
O mais revoltante é que a farsa nunca foi convincente. Como especialistas vêm apontando há anos e como a Frente Livre noticiou , o tal “Cartel de Los Soles” é uma entidade fantasma. Ele não existe nos relatórios da ONU sobre drogas. Ele não é mencionado sequer no relatório de 2025 da DEA, a própria agência antidrogas dos EUA. Era uma ficção conveniente, uma arma de propaganda.
Confrontados com a realidade de que teriam que provar a existência de um fantasma em um tribunal, os promotores americanos recuaram. Como explica a advogada Gabriela de Luca, consultora da União Europeia, eles agora focam em acusações mais vagas e individualizadas de corrupção, porque sabem que o rótulo de “cartel” é “conceitualmente frágil”.
Frágil, mas forte o suficiente para justificar bombas.
Se não é droga, é petróleo
Com a cortina de fumaça do narcotráfico se dissipando, a verdade nua e crua, já admitida por autoridades americanas, fica ainda mais exposta. A guerra nunca foi sobre drogas. Foi sobre petróleo.
Enquanto a farsa do cartel desmorona, o embaixador dos EUA na OEA, Leandro Rizzuto, declara sem pudor que “a maior reserva de petróleo do mundo não pode ficar sob o controle de adversários”. Donald Trump exige de Delcy Rodríguez acesso aos campos de óleo.
A história é simples e brutal. Inventa-se um crime. Usa-se esse crime para justificar uma invasão. Captura-se o líder. Admite-se que o crime era uma invenção. E, no fim, fica-se com o petróleo.
Nicolás Maduro não está preso por ser um traficante. Ele está preso para que a Venezuela sirva de exemplo: nesta nova ordem mundial, não há lei, não há soberania. Há apenas os interesses do império e a força para garanti-los. E quem ousar desafiar essa lógica terminará em uma cela, enquanto o mundo assiste em silêncio cúmplice.
Fonte: Com informações da Agência Brasil






Deixe seu comentário