A violência contra pessoas LGBT+ no Distrito Federal apresentou crescimento expressivo nos últimos anos. Entre 2019 e 2023, os registros de homotransfobia aumentaram 446,67%, segundo dados oficiais analisados por entidades de direitos humanos. Já no ano de 2025, somente no primeiro semestre, foram registrados quase uma ocorrência por dia.
O assassinato do professor João Emmanuel Moura, em Sobradinho II, na primeira semana do ano de 2026, foi classificado pela Polícia Civil como crime motivado por homofobia e trouxe visibilidade ao cenário enfrentado pela comunidade na capital federal.
O avanço da violência motivada por orientação sexual e identidade de gênero no Distrito Federal foi detalhado no 2º Relatório dos Impactos da Criminalização da Homotransfobia no DF, elaborado pelo Centro de Defesa dos Direitos Humanos em parceria com o Grupo Estruturação. O levantamento aponta que os casos de homotransfobia passaram de 15 registros em 2019 para 82 em 2023, representando um crescimento de 446,67% no período.
Somente nos primeiros cinco meses de 2025, foram registradas 70 ocorrências, totalizando uma média de quase uma ocorrência por dia no DF, segundo a Secretaria de Estado de Justiça e Cidadania (Sejus). Entre os tipos de ocorrência, a injúria foi a mais frequente, seguida por ameaça, homotransfobia e lesão corporal.
O perfil das vítimas indica que a maioria dos registros envolve jovens adultos entre 18 e 30 anos. Em relação ao gênero, 59% das vítimas são homens e 39% mulheres. Quanto à raça, predominam pessoas pardas (35%) e brancas (19%) segundo o relatório.
Não parando por aí, em 2024, o Brasil registrou 291 mortes de pessoas LGBT+,incluindo homicídios e suicídios motivados pela homofobia, indicando um aumento de 8% da violência no país em relação ao ano anterior. Dados da Transgender Europe (TGEU) indicam que o Brasil ocupa, reiteradamente, o primeiro lugar no ranking mundial de assassinatos de pessoas trans e travestis.
Caso recente
Um dos episódios que mais repercutiram no Distrito Federal foi o recente assassinato do professor João Emmanuel Ribeiro Gonçalves de Moura Carvalho, de 32 anos, ocorrido no domingo (4), em Sobradinho II. O educador foi encontrado morto ao lado de uma parada de ônibus, às margens da DF-150, com múltiplas lesões no rosto.
A Polícia Civil do Distrito Federal confirmou que o crime teve motivação homofóbica. Em nota oficial, a corporação informou que a vítima “foi brutalmente agredida com chutes, socos e teve o rosto pisoteado pelo autor”. O suspeito, de 24 anos, foi preso em flagrante e confessou o crime.
Segundo a PCDF, “o autor partiu em direção à vítima e passou a agredi-la, deixando-a caída ao chão, ainda agonizando. Logo depois, seguiu normalmente para o trabalho”. Um segundo homem foi autuado por favorecimento pessoal.
Em resposta a questionamentos do Brasil de Fato DF, a Polícia Civil informou que o Distrito Federal conta com estrutura especializada para o atendimento de crimes contra grupos vulnerabilizados. A Delegacia de Repressão aos Crimes de Discriminação (Decrin/DF) atua em cinco frentes, entre elas a homotransfobia.
“Todos os crimes ocorridos nesses contextos, quando chegam à Decrin/DF, são procedimentados por meio da Investigação Protetiva, que busca a elucidação do crime e o acolhimento da vítima, para evitar a revitimização”, informou a PCDF.
A Polícia Civil também ressaltou que todas as delegacias do DF possuem seções aptas a registrar e investigar ocorrências envolvendo pessoas LGBT+ e outros grupos vulnerabilizados.
Fonte: Brasil de Fato






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