A guerra de poder em torno da liquidação do Banco Master escalou para um novo e decisivo patamar. Em uma demonstração de força coordenada, a Febraban, a Anbima e as principais associações que representam mais de 90% do sistema financeiro brasileiro divulgaram, neste sábado (27), uma nota conjunta em defesa da atuação do Banco Central. A mensagem é um recado direto ao STF e ao TCU, que pressionam a autoridade monetária: a decisão de liquidar o Master foi técnica, dizem os bancões, e questioná-la abre um precedente perigoso para todo o sistema.
O movimento expõe publicamente a guerra de bastidores que se desenrola desde a quebra do banco. De um lado, os gigantes do mercado financeiro, que viram a liquidação como um saneamento necessário para eliminar um concorrente que jogava com regras arriscadas. Do outro, grupos com poder político e capital internacional que se sentiram lesados pela rapidez da liquidação e agora usam suas conexões em Brasília para questioná-la.
A nota conjunta, assinada por entidades como ABBC, Acrefi e Zetta, é a formalização do apoio do sistema financeiro a uma decisão que, na prática, lhes favoreceu. Ao alertar para o risco de “instabilidade regulatória” e “insegurança jurídica”, os bancos não estão apenas defendendo o BC; estão defendendo o resultado do jogo.
Essa demonstração de força ocorre no momento em que o Banco Central está sob fogo cruzado. No TCU, o ministro Jhonatan de Jesus cobra explicações sobre a “motivação” da liquidação, em uma decisão que, de um lado, ecoa os interesses do grupo que se sentiu prejudicado e de outro enfrenta os grandes bancos brasileiros.
No STF, a pressão é ainda mais direta. O ministro Dias Toffoli manteve para a próxima terça-feira (30) uma acareação que colocará frente a frente o diretor de fiscalização do BC, Ailton Aquino Santos, o ex-dono do Master, Daniel Vorcaro, e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. A audiência, pedida pela defesa de Vorcaro, busca encontrar brechas na atuação do regulador.
A reação do sistema financeiro foi cirúrgica. Ao afirmar que o mérito técnico das decisões do BC deve ser preservado, os bancos tentam blindar a autoridade monetária da pressão política. Eles admitem que o Judiciário pode analisar os aspectos legais, mas traçam uma linha clara: a decisão de liquidar ou não um banco é técnica, e essa autoridade não pode ser enfraquecida.
O cenário, portanto, está completo. De um lado, os interesses contrariados pela liquidação usam as armas disponíveis nos órgãos de controle e no Judiciário para tentar reverter o jogo. Do outro, o poder estabelecido do sistema financeiro fecha o cerco em torno do Banco Central, usando seu bilionário peso institucional para “alertar” que uma derrota nesta batalha pode custar caro demais para a economia do país. A acareação no STF na próxima semana é agora o campo de batalha onde essa guerra de gigantes terá seu próximo e talvez decisivo confronto.






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