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14 de dezembro de 2022: o dia em que ruiu o plano de assassinato do presidente eleito

Brigadeiro Batista Júnior revela bastidores da véspera da Operação Punhal Verde e Amarelo, quando militares bolsonaristas articularam ruptura armada

O Brasil esteve a horas de viver uma tragédia democrática. No dia 14 de dezembro de 2022, véspera da chamada Operação Punhal Verde e Amarelo, uma reunião no Ministério da Defesa reuniu o que havia de mais alto na cúpula das Forças Armadas ligadas a Jair Bolsonaro. O objetivo: discutir a minuta de um decreto que previa impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva — e, segundo fontes de inteligência, articular o assassinato de Lula como plano extremo.

As revelações constam no depoimento do ex-comandante da Aeronáutica, Carlos de Almeida Baptista Júnior, prestado hoje (21/5) ao Supremo Tribunal Federal no âmbito da Ação Penal 2.668, que apura a tentativa de golpe de Estado liderada por Bolsonaro.

“Quando entrei, eu fui o último, e aí eu sentei ao lado do Garnier”, contou Baptista Júnior, referindo-se ao então comandante da Marinha, almirante Almir Garnier. “E aí o Paulo Sérgio, o então ministro da Defesa, disse: ‘Olha, eu trouxe aqui um documento para vocês lerem’.”

O documento, segundo o brigadeiro, previa a decretação de estado de sítio. “Perguntei claramente: ‘O documento prevê a não-assunção no dia primeiro de janeiro do presidente eleito?’ A resposta foi: ‘Sim’.” Diante da resposta, Batista Júnior se levantou e deixou a sala. “Não aceito nem receber esse documento.”

A reunião foi o auge da tensão golpista, e sua data coincide com a véspera da operação que seria deflagrada por militares ligados ao Gabinete de Segurança Institucional, no Palácio do Planalto — a chamada Punhal Verde e Amarelo. Fontes internas relataram à Polícia Federal que o plano incluía medidas como o fechamento do STF, a prisão de ministros e o assassinato de Lula, do vice Geraldo Alckmin, do ministro Alexandre de Moraes e até do ex-deputado José Dirceu. A operação foi abortada no último minuto após resistência do Exército e da Aeronáutica.

Braga Netto, então general e candidato a vice de Bolsonaro, aparece como figura central nas pressões. Em mensagens reveladas pela PF, Braga Netto dizia “centre o pau no Batista Júnior”, em retaliação ao posicionamento legalista do comandante da Aeronáutica.

“Eu tinha um ponto de corte: o dia primeiro. Tinha que haver diplomação de um presidente eleito democraticamente”, afirmou Baptista Júnior.

Já o general Marco Antônio Freire Gomes, comandante do Exército, também participou da reunião e, segundo o depoente, avisou Bolsonaro: “Se fizer isso, vou ter que te prender”.

O brigadeiro ainda relatou ter encontrado o general Augusto Heleno, então chefe do GSI, dois dias depois, na cerimônia de formatura do filho deste, no ITA. Heleno teria pedido carona para Brasília após receber convocação para uma reunião de emergência com Bolsonaro. “Fiz um alerta: ninguém nas Forças Armadas apoiaria ruptura democrática”, contou Baptista Júnior.

[A Reunião do Golpe – Quem fez o quê em 14/12/2022]

Personagem Ação na reunião Atitude frente ao plano Consequência
Carlos Baptista Júnior Rejeitou a minuta e saiu da sala Contra Pressionado por Braga Netto
Freire Gomes Advertiu Bolsonaro sobre prisão Contra Tentou minimizar no STF
Almir Garnier Silenciou e colocou Marinha à disposição A favor Pode ser julgado por traição à Constituição
Paulo Sérgio Nogueira Apresentou a minuta A favor Réu na Ação Penal
Jair Bolsonaro Liderava a tentativa de golpe Líder do plano Réu e principal acusado


[Por que importa?]

As revelações confirmam o que antes eram apenas especulações: o núcleo duro do governo Bolsonaro planejava um golpe armado com consequências imprevisíveis para o país. Só a recusa da Aeronáutica e do Exército impediu a tragédia. O silêncio e a cumplicidade de figuras como Garnier e Braga Netto revelam o grau de comprometimento das Forças Armadas com o plano de ruptura.

[Próximos passos]

As oitivas seguem até 2 de junho e incluem depoimentos do senador Hamilton Mourão e do atual comandante da Marinha, Marcos Sampaio Olsen. A expectativa é que novas revelações consolidem o papel de cada personagem no mais grave ataque à democracia desde a redemocratização.


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