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acordo de Davi Alcolumbre
Paulinho da Força (Solidariedade-SP) é o costureiro do conchavo. Foto: Jonas Pereira/Agência Senado
BRASIL

Conchavão alivia Master e golpistas

Extrema direita tirou a faca do pescoço de Davi Alcolumbre

O presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), acaba de oficializar o que Brasília faz de melhor: o conchavo pela impunidade. Em uma manobra coordenada com a oposição bolsonarista, Alcolumbre decidiu enterrar de vez a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Master. O objetivo é evitar a leitura do requerimento na sessão desta quinta-feira (30), blindando ele mesmo, que é citado nas investigações, e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O requerimento fora apresentado pela oposição, que, diante da manobra de não-leitura, poderia espernear. Mas não o fará. Em troca do silêncio, o senador pautou a derrubada do veto ao projeto de lei da dosimetria, um presente sob medida para reduzir as penas de Jair Bolsonaro e dos demais criminosos do 8 de janeiro.

A negociação, que contou com o auxílio luxuoso do deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), revela o pragmatismo abjeto do Centrão. A oposição, que antes usava o escândalo do Banco Master como faca no pescoço de Alcolumbre para expor as relações de magistrados e políticos com Vorcaro, retirou a lâmina assim que recebeu a promessa de alívio judicial para o seu líder golpista. A cúpula do Legislativo teme que uma investigação séria revele o tamanho da promiscuidade entre o setor financeiro e os gabinetes de Niterói a Brasília.

O silêncio do governo

Enquanto o Parlamento se organiza para salvar a própria pele, o governo Lula assiste de braços cruzados. Sob o pretexto de não “manter o tema da corrupção em debate”, o Planalto abdicou de pressionar pela instalação da CPI. A estratégia governista é focar em agendas positivas, como a redução da jornada de trabalho, mas, na prática, essa omissão serve como lubrificante para as engrenagens do acordo Alcolumbre-Bolsonaro. Ao ignorar o saque aos cofres públicos via Banco de Brasília (BRB) e institutos de previdências estaduais e municipais, o governo permite que a poeira baixe sobre o esquema de Daniel Vorcaro.

A resistência de Alcolumbre em ler os requerimentos — que já somam o apoio de 281 parlamentares — não é nova. Pedidos anteriores, como o do senador Eduardo Girão (Novo-CE), mofam nas gavetas da presidência do Senado ou aguardam decisões lentas no Supremo Tribunal Federal (STF).

Para garantir que nenhuma surpresa estrague o banquete, Alcolumbre encerrou as CPIs do INSS e do Crime Organizado sem sequer permitir a votação de relatórios finais.

Impunidade como moeda de troca

O projeto da dosimetria é a cereja do bolo desse acordão. Ao pautar a derrubada do veto, Alcolumbre sinaliza que a estabilidade do seu comando no Congresso vale mais do que a justiça pelos atos antidemocráticos. A “classe política”, que se via ameaçada pela impopularidade de Vorcaro e pelas fraudes de mais de R$ 50 bilhões do Master, agora respira aliviada. Em Brasília, a lei da gravidade política funciona ao contrário: quanto maior o crime, mais alto o cargo que o protege. Para o trabalhador, fica a conta do banco quebrado; para os golpistas, o benefício da dúvida e a redução da pena.

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