O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), anunciou nesta sexta-feira (14) que vai liberar para trâmite a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que prevê o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais. A decisão veio após a terceira reunião com o presidente Lula em semanas. Na nota, Alcolumbre disse:
“Na função de presidente do Congresso Nacional, tenho a responsabilidade de assegurar que as matérias submetidas ao Parlamento tenham o devido encaminhamento”.
Também liberou a PEC da Segurança Pública e o projeto de lei sobre minerais críticos.
A liberação não é convicção. É sobrevivência. Igual ao que fez seu colega Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara, que sabotou o governo o tempo inteiro e agora abraça Lula na Paraíba para salvar o mandato. Alcolumbre está encurralado.
O encurralamento no Amapá
O ex-prefeito de Macapá, Antônio Furlan (PSD), abraçou o bolsonarismo — de forma light, mas abraçou. E lidera todas as pesquisas para o governo do estado com folga gigantesca: 66% das intenções de voto, segundo a Paraná Pesquisas. A esposa, Rayssa Furlan, é a candidata mais bem colocada para o Senado. A família Furlan corre o risco de fazer a maioria da bancada federal e tomar conta da política do Amapá. O grupo de Alcolumbre ficaria tão enfraquecido que um eventual novo mandato ao Senado daqui a quatro anos seria impossível.
Além disso, Alcolumbre quer ser reconduzido ao cargo na próxima legislatura. As pesquisas não indicam mais uma enxurrada de bolsonaristas no plenário a partir do ano que vem. Pelo contrário, aliados do presidente Lula lideram as pesquisas para o Senado em vários estados onde antes se viam neofascistas a frente.
No Amapá, Lula está à frente de Flávio Bolsonaro. O presidente é, portanto, o eleitor mais importante do estado, com chances de influenciar numa virada. Talves o único capaz disso. Alcolumbre vem a Lula como bóia de salvação. Ele pode virar a situação no estado. E pode garantir a sonhada recondução à Presidência do Senado em 2027. Este foi o cálculo que desengavetou a PEC da 6×1.
O acordo que engavetou a PEC
A PEC do fim da escala 6×1 estava parada no Senado desde maio. A Câmara aprovou com apenas 19 votos contrários. A matéria seguia sem relator. A Revista Fórum denunciou em julho: “Alcolumbre quer PEC após as eleições para cumprir acordo com Flávio Bolsonaro”. O ICL Notícias confirmou: “Alcolumbre atua para adiar a votação e aliados avaliam que o tema deve ficar para depois das eleições de 2026”. O Esquerda Diário foi mais longe: “Alcolumbre, Flávio Bolsonaro e Damares querem desmantelar o fim da escala 6×1 no Senado”.
O cálculo era simples. Quando as pesquisas ainda indicavam competitividade na candidatura de Flávio Bolsonaro, Alcolumbre fechou acordo com ele: só pôr a PEC em votação depois das eleições, para não inflar a candidatura de Lula. O fim da escala 6×1 tornou-se, com a ajuda do governo, que abraçou a pauta, uma das questões com maior apoio popular no Brasil neste ano. Engavetar era ajudar Flávio. Liberar é ajudar Lula. Alcolumbre escolheu o lado que lhe garante oxigênio político.
Melhor para o trabalhador brasileiro, que ganhou o fim do engavetamento da PEC que acaba com a escala 6×1. O centrão não vira lulista por convicção. Vira por cálculo. E o povo, mais uma vez, serve de escada para quem sempre esteve do outro lado da mesa.





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