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GEOPOLÍTICA

BRICS não é “anti-Ocidente”, mas busca equilíbrio mundial

Celso Amorim, atual assessor especial da Presidência da República do Brasil para Assuntos Internacionais e um dos fundadores do BRICS, reforça o papel do grupo como alternativa multilateral

A décima edição do Diálogo de Planejamento de Política Externa do BRICS reuniu representantes dos países-membros no Palácio do Itamaraty, em Brasília, para dois dias de debates sobre geopolítica, reforma da governança global e cooperação entre economias emergentes. O evento, realizado sob a presidência brasileira do grupo, destacou a necessidade de uma ordem internacional mais equilibrada, com foco em temas como desenvolvimento sustentável, segurança energética e justiça social. Um dos pontos centrais foi a defesa do multilateralismo, reafirmada pelo embaixador Celso Amorim, assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais e um dos fundadores do BRICS: “Não somos “anti-Ocidente”. Somos pró-equilíbrio, pró-desenvolvimento e pró-justiça social”.

A expansão do BRICS, que passou de 5 para 11 membros em 2024, dominou parte das discussões. Celso Amorim ressaltou a importância da inclusão de países como Indonésia, Etiópia e nações árabes: “A África e o mundo árabe precisavam de representação. A Indonésia, com população maior que a do Brasil, também”. A entrada da Indonésia em janeiro de 2025, sob a presidência brasileira, foi celebrada como um marco para ampliar a influência do grupo no Sudeste Asiático.

Pela primeira vez, uma delegação indonésia participou do Diálogo. A embaixadora Spika Tutuhatunewa, representante da Agência de Estratégia de Política Externa do país, expressou entusiasmo: “Estamos animados por nos tornarmos membros e queremos cooperação em mudança climática, inteligência artificial e segurança alimentar”. Ela destacou o alinhamento da Indonésia com os objetivos do BRICS, especialmente sob o novo governo do presidente Prabowo Subianto.

DESTAQUES DO EVENTO  

Expansão do BRICS  

–  Novos membros (2024): Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Irã e Indonésia.  

– Indonésia: Entrou oficialmente em janeiro de 2025, destacada como a maior economia do Sudeste Asiático.  

– Desafios: Amorim admitiu que a ampliação aumenta a complexidade, mas defendeu a inclusão para fortalecer a representatividade.  

Dinâmica do Diálogo  

– Formato informal: Sem documentos finais ou decisões vinculantes, priorizando troca de perspectivas.  

– Temas abordados:  

  1.   – Reforma da ONU e do FMI.  
  2.   – Comércio em moedas locais.  
  3.   – Impactos da inteligência artificial na geopolítica.  

– Retorno ao presencial: Primeira edição física após quatro anos de reuniões virtuais (pandemia).  

Prioridades do Grupo  

1. Multilateralismo: Críticas ao sistema internacional centralizado e defesa de instituições mais democráticas.  

2. Cooperação Sul-Sul: Fortalecimento de parcerias em tecnologia, energia limpa e segurança alimentar.  

3. Paz e desenvolvimento: A “Iniciativa dos Amigos da Paz”, articulada por Brasil e China, ganhou destaque.  

Contexto Geopolítico  

– Crise do multilateralismo: Amorim citou o declínio da liderança dos EUA e a ascensão de potências emergentes.  

– Guerras e tensões: Debate sobre o papel do BRICS na mediação de conflitos, como Ucrânia e Oriente Médio.  

– Contrapeso econômico: Discussões sobre reduzir dependência do dólar e ampliar acordos comerciais alternativos.  

FRASES EM DESTAQUE

  

  “O BRICS nasceu para ser um contrapeso, não uma aliança anti-Ocidente. Queremos equilíbrio, não confronto.”  

  “A expansão traz vozes necessárias, como a África e o mundo árabe, historicamente marginalizados.”  

Embaixador Celso Amorim

Delegação da Indonésia participa pela primeira vez do Diálogo de Planejamento de Política Externa do BRICS | Foto: Isabela Castilho/ BRICS Brasil

 “Priorizamos energia limpa e governança de IA. São áreas onde o BRICS pode liderar globalmente.”  

Spika Tutuhatunewa (Indonésia)  

PRÓXIMOS PASSOS  

– Presidência russa (2024): Retomada de diálogos presenciais e integração dos novos membros.  

– Agenda brasileira: Reuniões ministeriais sobre segurança nacional e desenvolvimento sustentável.  

– Cúpula do BRICS 2025: Previsão de avanços em acordos de comércio local e reforma institucional.  

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