A Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) manifestou-se a favor da inelegibilidade do deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) por um período de oito anos. O parecer, assinado pelo vice-procurador-geral Eleitoral, Alexandre Espinosa Bravo Barbosa, foi enviado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A medida atende a um recurso da coligação “Por Amor a Niterói”, que denuncia o uso indevido de meios de comunicação e abuso de poder econômico nas eleições municipais de 2024.
O caso revela a face autoritária da extrema-direita fluminense. Carlos Jordy, cujo nome de batismo é Carlos Roberto Coelho de Mattos Junior — mas que usa o apelido de um cantor mirim francês dos anos 90 —, é acusado de manipular a opinião pública em Niterói. Segundo a PGE, a chapa do PL utilizou o jornal “O Fluminense” de forma abusiva para atacar adversários políticos, transformando o veículo em um panfleto de propaganda negativa.
A fraude das manchetes antecipadas
O vice-procurador rebateu a tese de que Jordy seria apenas um “beneficiário passivo” das ações do jornal. Provas robustas indicam participação ativa: a campanha de Jordy contratou pessoas para distribuir gratuitamente milhares de exemplares com ataques a Rodrigo Neves. Mais grave ainda: manchetes do periódico eram divulgadas nas redes sociais do deputado antes mesmo da publicação impressa, evidenciando o conluio entre o gabinete e a redação.
O parecer da PGE destaca que houve “sistemática e reiterada veiculação de conteúdo desproporcional”. Enquanto o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) já havia condenado o sócio do jornal, a Procuradoria agora exige que o “bebê” da direita também pague o preço político. Jordy, que já é alvo da Polícia Federal na Operação Galho Fraco por suspeita de roubar dinheiro público ao desviar cotas parlamentares com locadoras de fachada, vê seu plano de chegar ao Senado em 2026 derreter sob o peso da lei.
O declínio da extrema-direita em Niterói
A trajetória de Jordy é marcada por xiliques e brigas familiares — ele chegou a processar o próprio irmão para impedir o uso do sobrenome artístico na política. Agora, o isolamento é jurídico. A condenação solicitada pela PGE reforça que a democracia não pode ser refém de milícias digitais ou de jornais de aluguel. Se o TSE seguir o parecer, Niterói ficará livre por quase uma década de um dos principais articuladores do golpismo no Rio de Janeiro.




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