Celina nega; Vorcaro diz que ela estava dentro do esquema do Master

Mensagem no celular de Vorcaro diz que governadora fez jogo político ao negar envolvimento

Por Diario do Centro do Mundo
Celina Leão Banco Master
Governadora do DF, Celina Leão, caiu no escândalo do Banco Master: mensagem de Vorcaro diz que ela participou da compra e fez jogo político; ela nega. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em mensagens trocadas em abril de 2025, que a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), participou da negociação para o BRB comprar o Banco Master. A declaração contrasta com a posição pública de Celina, que disse à época não ter sido consultada sobre o negócio.

Vorcaro enviou a mensagem ao publicitário Thiago Miranda em 5 de abril de 2025, oito dias após o conselho de administração do Banco de Brasília aprovar a compra de 58% das ações do Master. As conversas não trazem mensagens diretas com a governadora nem detalham qual teria sido sua participação.

Thiago Miranda havia compartilhado com Vorcaro uma reportagem em que Celina, então vice-governadora, afirmava não conhecer a operação. O publicitário escreveu: “A Celina eu conheço MUITO BEM. Ela agora tá querendo aparecer porque ficou de fora da operação”.

Vorcaro respondeu que ela não havia ficado fora do negócio e atribuiu a fala pública a uma estratégia política. “Não ficou de fora não. Isso aí é jogo pra se preservar na política”, escreveu o ex-banqueiro.

 

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Conversa entre Daniel Vorcaro e Thiago Miranda. Foto: Reprodução

Naquele mesmo período, Celina declarou ao jornal O Globo: “Não tenho conhecimento sobre a operação [de compra do Banco Master], não fui consultada, fiquei sabendo pela imprensa”. A negociação, capitaneada pelo então governador Ibaneis Rocha (MDB), provocou mal-estar no governo local.

Procurada na segunda-feira (14), a governadora afirmou, por meio de nota, que o diálogo entre Vorcaro e Miranda comprova que ela sempre se opôs à aquisição. Celina não explicou por que o ex-banqueiro escreveu que ela participou da operação e fazia um jogo para se preservar politicamente.

Celina era vice de Ibaneis quando o BRB tentou comprar o Master e assumiu o governo do Distrito Federal em março. Candidata à reeleição, ela tem dito que não mantinha contato com Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB preso no caso, nem com Vorcaro.

Em debate promovido pelo Metrópoles no último dia 10, a governadora afirmou que seu nome não constava na agenda telefônica de Vorcaro ou em conversas sobre negociações. “O escândalo do Master é o maior escândalo do Brasil”, disse, antes de negar envolvimento no caso.

Investigações da Polícia Federal apontaram que o BRB transferiu cerca de R$ 17 bilhões ao Master. Desse total, aproximadamente R$ 12,2 bilhões corresponderiam a títulos falsos, sem valor, segundo a corporação.

O prejuízo do BRB ainda não está fechado porque o banco não divulga balanços completos desde agosto do ano passado. O Governo do Distrito Federal pede empréstimo de até R$ 6,6 bilhões, com garantia da União, e o ministro Luiz Fux, do STF, deu 15 dias para o governo federal, o Banco Central e o Fundo Garantidor de Créditos se manifestarem.

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