A roubalheira do Banco Master chegou ao ponto em que ninguém imaginava que chegaria: faliu até o plano de saúde dos servidores do Distrito Federal. A Defensoria Pública do DF comunicou, em memorando circular de 20 de agosto, que o GDF-SAÚDE-DF, plano de assistência suplementar dos servidores, será suspenso pelo Instituto de Assistência à Saúde dos Servidores do DF (INAS).
O motivo é seco e revelador: a ausência de repasse, pelo Tesouro Distrital, dos recursos destinados ao custeio do aporte mensal correspondente a 2% do valor total da folha de pagamento dos servidores, conforme prevê o Decreto nº 46.940, de 11 de março de 2025. A falta do recurso comprometeu a anuência ao GDF-SAÚDE-DF desde 2024. Ou seja: o governo parou de pagar a conta, e quem fica sem plano é o trabalhador.
O buraco que engoliu a saúde
A pergunta que o governo não quer responder é para onde foi o dinheiro. A resposta está escancarada nas auditorias. O rombo deixado pela gestão bolsonarista de Ibaneis Rocha no Banco de Brasília (BRB) com as fraudes do Master chegou a R$ 20 bilhões, segundo a auditoria independente conduzida pelo escritório Machado Meyer em parceria com a Kroll, podendo ultrapassar R$ 30 bilhões.
A sequência de cortes que só o povo reverte
Não é caso isolado. A mesma crise já derrubou verbas da educação, com o corte de R$ 25,5 milhões das escolas públicas, revertido apenas após pressão popular. Já cancelou e recancelou o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, com R$ 3 milhões retidos. Agora, alcança o plano de saúde dos servidores.
A Defensoria informa que serão disponibilizados planos de saúde sem carência com outras conveniadas a partir de setembro de 2026, e orienta os beneficiários a procurar a Unidade de Gestão de Pessoas. Mas a pergunta segue no ar: de onde virá o dinheiro para esses novos planos? E por que o servidor, que nunca viu um centavo da roubalheira, é sempre o último a saber e o primeiro a pagar?
Enquanto o banqueiro preso e os gestores do esquema respondem pelos bilhões, o trabalhador do DF descobre que o plano de saúde virou mais uma vítima da aventura financeira de Ibaneis e companhia. O Master levou o dinheiro. O servidor fica sem plano. E o governo ultrabolsonarista, como sempre, culpa a crise que ele mesmo criou.






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