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cessar-fogo com Irã
Trump durante entrevista na Casa Branca: Governo do Irã estaria rachado, segundo disse, por isso a necessidade de mais tempo no cessar-fogo. Foto: Casa Branca
GEOPOLÍTICA

Depois das ameaças, Trump amarela de novo

Presidente dos EUA insiste na pressão, mas evita escalada

Depois de fazer ameaças de todo jeito, Donald Trump amarelou de novo. O presidente neofascista dos Estados Unidos anunciou nesta terça-feira (21) a extensão por tempo indefinido do cessar-fogo com o Irã, inicialmente anunciado válido por dez dias e que terminaria nesta data.

Para ainda posar de durão, Trump manteve o bloqueio marítimo no Estreito de Ormuz. Ou seja, se o Irã não permite que navios dos EUA, Israel ou aliados deles cruzem o estreito, os navios de guerra norte-americanos estão no Golfo Pérsico impedindo que navio de qualquer país entre lá. Assim, quer entrangular o Irã, impedindo exportações, importações e abastecimento interno.

A decisão foi publicada na Truth Social e veio, segundo o próprio Trump, após um pedido do primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, e do chefe do Exército paquistanês, Asim Munir.

Na prática, Trump tenta vender firmeza enquanto recua. Na mesma mensagem em que prolonga a trégua, ele condiciona qualquer avanço à apresentação de uma proposta unificada pelos líderes iranianos. O discurso é de pressão permanente, mas a decisão concreta é de adiamento. Mais uma vez, o presidente dos EUA posa de homem duro, mas prefere ganhar tempo diante do risco de uma escalada maior na região.

Pressão continua em Ormuz

Trump justificou a medida dizendo que o governo iraniano estaria “seriamente fragmentado” e que os Estados Unidos foram solicitados a suspender o ataque até que houvesse uma resposta mais clara de Teerã.

Na publicação, ele escreveu: “Com base no fato de que o governo do Irã está seriamente fragmentado — o que não é inesperado — e a pedido do marechal de campo Asim Munir e do primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, fomos solicitados a suspender nosso ataque ao país até que seus líderes e representantes consigam apresentar uma proposta unificada. Diante disso, determinei que nossas Forças Armadas continuem o bloqueio e, em todos os demais aspectos, permaneçam prontas e capazes, e, portanto, estenderei o cessar-fogo até que tal proposta seja apresentada e as negociações sejam concluídas, de uma forma ou de outra”, escreveu.

Recuo com pose de força

Apesar da extensão da trégua, o bloqueio em Ormuz segue como instrumento de pressão sobre o Irã e sobre o comércio internacional de petróleo. O estreito é uma das rotas mais sensíveis do planeta, e sua interdição mantém o mercado em alerta, ao mesmo tempo em que expõe a dependência global dessa gargalo estratégico.

O preço do barril, que havia caído fortemente, agora voltou a subir.

A decisão também ocorre em meio a esforços diplomáticos para conter o conflito. O Paquistão aparece como possível mediador, mas o quadro geral é de ameaça suspensa, não de paz consolidada. Trump evita a escalada aberta, mas preserva a chantagem militar como método. No fim, o que entrega é a velha fórmula imperial: ameaça alta, decisão ambígua e recuo embalado como força.

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