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Com chapa única e apoio de cartolas, Samir Xaud é eleito presidente da CBF até 2029

Filho de dirigente longevo e sem concorrência real, Xaud assume em meio a críticas sobre conchavo e falta de representatividade

Num roteiro que seguiu à risca o script pré-combinado nos bastidores do futebol brasileiro, o médico roraimense Samir Xaud foi eleito neste domingo (25) presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Sem concorrência real, apoiado por 25 das 27 federações estaduais — e rejeitado por metade dos clubes das séries A e B —, Xaud assume a CBF até 2029 em uma eleição que já nasceu questionada pelo seu formato e pela ausência de disputa legítima.

Aclamado como “novo” nome para liderar o futebol nacional, Xaud carrega sobrenome conhecido: é filho de Zeca Xaud, presidente da Federação Roraimense de Futebol há 42 anos, um dos dirigentes mais longevos do país. Em janeiro, o próprio Samir foi eleito para presidir a mesma entidade… também como candidato único.

A chamada Assembleia Extraordinária apenas oficializou o que já se sabia desde o afastamento de Ednaldo Rodrigues, por decisão judicial. Após a anulação da eleição de Ednaldo — motivada por uma assinatura falsificada no documento de apoio à sua candidatura — o vice Fernando Sarney convocou nova votação. O resultado foi uma chapa única formada à sombra de um arranjo federativo, com pouquíssimo apoio dos clubes, mas maioria garantida graças ao peso desproporcional dos votos das federações.

Clube grande, voto pequeno
Atualmente, o sistema eleitoral da CBF dá peso 3 para cada federação, peso 2 para clubes da Série A e peso 1 para os da Série B. É esse modelo que gerou o impasse e o descontentamento: 20 clubes — a maioria da elite — se recusaram a apoiar Xaud, denunciando que o formato ignora a representatividade real do futebol brasileiro, concentrada nas grandes torcidas e centros urbanos.

Ainda assim, com os votos das federações garantidos, Xaud foi eleito sem dificuldade. Tentativa de oposição até houve: Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da Federação Paulista de Futebol, tentou lançar candidatura, com apoio majoritário de clubes. Mas sem os apoios federativos exigidos, foi impedido de concorrer.

Promessas em meio ao ceticismo
Em seu discurso, Xaud falou em reconstrução, transparência e diversidade. Prometeu reforma no calendário, criação de um grupo para discutir fair play financeiro e apoio ao futebol feminino — com a Copa do Mundo Feminina de 2027, no Brasil, como vitrine. Também anunciou que apresentará oficialmente Carlo Ancelotti como novo técnico da Seleção Brasileira nos próximos dias.

Mas entre os críticos, prevalece o ceticismo. Para muitos, a eleição é mais um episódio do velho jogo de cartas marcadas que há décadas comanda o futebol brasileiro: dirigentes que se revezam em cadeiras, conchavos entre federações e clubes alijados das decisões que mais os afetam.

Reação do setor
O novo presidente até tentou suavizar as arestas, elogiando a candidatura de Reinaldo Bastos, a quem chamou de “qualificador do processo”, e prometeu dar continuidade a algumas ações da gestão de Ednaldo Rodrigues. Mas o mal-estar permanece. O receio de que nada mude — ou que mude apenas para preservar os mesmos — é evidente.

Um sistema que se renova sem se reinventar
A eleição de Xaud escancara mais uma vez o descompasso entre o que o futebol brasileiro precisa e o que os cartolas estão dispostos a entregar. O sistema que dá às federações peso decisivo — em detrimento dos clubes e das torcidas — perpetua uma estrutura oligárquica, em que velhos sobrenomes voltam com novas caras, mas a lógica permanece intocada.

A promessa de “nova CBF” feita por Xaud soa, por ora, como retórica de posse em um sistema que pouco incentiva renovação real. Para os torcedores, os técnicos, os atletas e os clubes, resta observar se haverá mudanças concretas… ou só mais um ciclo de poder blindado, agora com assinatura de cartório.

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