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computação quântica China
Núcleo de um computador quântico em operação. Imagem: FLIA (Imagem gerada por IA)
CIÊNCIA & TECNOLOGIA

China e Brasil inauguram era quântica na Paraíba

Enquanto EUA impõe sanções, China transfere tecnologia de ponta

O governo Lula, em parceria com o governo da Paraíba e o Suzhou Quantum Center, da China, anunciou a criação do Centro Internacional de Computação Quântica (CIQuanta), em João Pessoa. O espaço de 5,1 mil m² na Estação Ciência Cabo Branco vai abrigar dois computadores quânticos de 20 e 100 qubits — os primeiros equipamentos desse tipo em operação na América Latina. O investimento é de R$ 150 milhões.

O projeto nasce de um acordo de cooperação assinado em novembro de 2025 entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e o governo da Paraíba, com o Suzhou Quantum Center, centro ligado à China Electronics Technology Group (CETC), uma das maiores estatais de tecnologia da China. O cronograma prevê o treinamento de pesquisadores brasileiros no centro chinês em junho e julho, a chegada dos equipamentos em agosto e a montagem concluída em outubro.

A diferença entre parceria e controle

O vice-presidente da CETC-IQC, Xu Hai, afirmou que o objetivo é permitir que a Paraíba desenvolva seus próprios computadores quânticos com transferência de tecnologia — algo que, segundo ele, é incomum em acordos desse tipo. O professor Amílcar Queiroz, da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e presidente da Fapesq, principal articulador técnico do projeto, disse que o centro deve gerar soluções em fármacos, agricultura de precisão, otimização financeira e materiais avançados.

O contraste com a postura dos Estados Unidos é revelador. Washington, que lidera parte do setor com empresas como IBM, Google e IonQ, oferece acesso remoto controlado, sem transferência de conhecimento ou instalação de equipamentos em solo brasileiro. O modelo americano é de dependência — você usa a máquina, mas não a possui. O modelo chinês é de soberania compartilhada: o equipamento fica aqui, os pesquisadores são treinados aqui, e a promessa é de que o Brasil possa desenvolver suas próprias máquinas no futuro.

BRICS na prática

A parceria com a China se insere em um contexto mais amplo de cooperação Sul-Sul, com o BRICS como plataforma. Enquanto os EUA tratam a tecnologia como arma de controle geopolítico — vide as sanções contra Huawei e outros projetos chineses —, a China aposta na transferência de conhecimento como ferramenta de integração.

O CIQuanta será integrado ao Sistema Nacional de Processamento de Alto Desempenho e aos Centros Nacionais de Processamento de Alto Desempenho em Inteligência Artificial (Cenapad-IA). Universidades federais de vários estados poderão acessar os computadores quânticos remotamente. João Pessoa pode se tornar um hub nacional de computação quântica, inteligência artificial e pesquisa aplicada.

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Ministra Luciana Santos, do MCTI, visita espaço em João Pessoa, onde funcionará o empreendimento, uma parceria do ministério com o governo do estado. Foto: Diego Galba (Ascom/MCTI)

O verdadeiro teste virá com a continuidade do investimento e a capacidade de formar uma geração de pesquisadores brasileiros em computação quântica. Vinte e cem qubits não resolvem gargalos científicos e industriais sem financiamento contínuo, governança técnica e integração com universidades e setor produtivo. Mas o caminho escolhido — parceria com a China, transferência de tecnologia, equipamento em solo nacional — é o caminho correto para quem busca soberania tecnológica no século XXI.

Resumindo

  • O CIQuanta, em João Pessoa, abrigará dois computadores quânticos de 20 e 100 qubits vindos da China — os primeiros operacionais da América Latina.
  • A China oferece transferência de tecnologia e equipamento em solo brasileiro, ao contrário dos EUA, que só oferecem acesso remoto controlado.
  • A parceria se insere na cooperação BRICS e aponta para um caminho de soberania tecnológica, dependente de continuidade de investimento.

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