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Corrupção de Flávio Bolsonaro ganha novo capítulo

Voou no jatinho do empresário que superfaturou vacinas na pandemia

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) terá de lidar com nova pressão após vir à tona uma viagem feita por ele e familiares em um jatinho ligado ao empresário Fernando Marques, da União Química, laboratório que tentou vender ao Ministério da Saúde 10 milhões de doses da vacina russa Sputnik V durante a pandemia da Covid-19.

A revelação ganha peso político porque ocorre no momento em que Flávio evita comentar o caso Banco Master e os voos de aliados, como o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), no avião de Daniel Vorcaro. Agora, o foco recai sobre a carona do senador em uma aeronave de um empresário ligado a um contrato suspeito firmado no governo Jair Bolsonaro (PL).

Segundo informações publicadas pelo Estadão, Flávio, a esposa Fernanda Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz viajaram para a Flórida no feriado de 1º de maio de 2025 em um jato Bombardier com capacidade para 13 passageiros, pertencente à União Química.

Em nota ao jornal, o senador confirmou a viagem e tentou marcar diferença em relação ao presidente Lula. “Diferentemente de Lula, que utiliza aviões de amigos que têm empresas reguladas pelo governo, os voos tiveram caráter privado, com finalidade pessoal e familiar, não havendo qualquer contrapartida, favorecimento ou relação com a administração pública”.

corrupção Flávio Bolsonaro
O empresário Fernando Marques. Foto: reprodução

Willer Tomaz seguiu a mesma linha e afirmou que “os voos mencionados tiveram caráter estritamente privado, realizados no contexto de relação pessoal de amizade entre as partes. Os deslocamentos foram de natureza exclusivamente pessoal e familiar, sem qualquer vínculo comercial, prestação de serviços ou contrapartida de qualquer natureza”.

O episódio recoloca no debate a relação entre Fernando Marques, a União Química e o governo Bolsonaro. Em 2021, a empresa apareceu como intermediária em um contrato com o Ministério da Saúde, então comandado por Eduardo Pazuello, para vender 10 milhões de doses da Sputnik V por 11,95 dólares cada.

Ao mesmo tempo, governos estaduais que negociavam diretamente com o Fundo Russo de Investimento Direto pagariam 9,95 dólares por dose. A diferença de 2 dólares por vacina renderia 20 milhões de dólares à intermediária. O negócio, porém, não foi concluído porque a Anvisa não aprovou o imunizante por falta de dados e questões de segurança.

Outro elemento relevante é a ligação de Fernando Marques com o Centrão, especialmente com Ricardo Barros, ex-ministro da Saúde no governo Michel Temer e nome influente na área durante o governo Bolsonaro. À época, Barros chegou a pressionar a Anvisa e ameaçou “enquadrar” a diretoria da agência para acelerar a liberação de vacinas.

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