A tentativa desesperada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro de fechar um acordo de delação premiada ameaça expor as entranhas da corrupção em Brasília. Preso há três meses, o dono do falido Banco Master delatou, segundo reportagem da revista Veja, um esquema de propinas milionárias que atinge o presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e lança suspeitas sobre a relação da instituição financeira com o Partido dos Trabalhadores (PT) na Bahia, envolvendo o ex-ministro da Casa Civil, Rui Costa.
A nova proposta de Vorcaro é politicamente estudada. Ela dá um tiro na cabeça do Centrão ao atingir Alcolumbre. Ao mesmo tempo, abre uma brecha para que a extrema direita ataque o Governo Lula. Como já havia sido revelada a relação promíscua dele com os Bolsonaros, agora se teria Banco Master para todos os lados da política brasileira.
A Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) já rejeitaram a primeira proposta de colaboração do banqueiro, apontando que ele tenta proteger aliados e omite crimes evidentes. Segundo o relato, Vorcaro pagou 30 milhões de dólares (cerca de R$ 155 milhões) a Alcolumbre. O valor teria sido depositado em uma conta secreta no exterior e repassado ao parlamentar em troca de apoio aos interesses do Banco Master. A transação teria sido operada por Augusto Lima, ex-sócio do banqueiro.
A conexão baiana e o monopólio do crédito
A delação também mira os negócios do Master com o governo da Bahia. A relação começou em 2007, na gestão de Jaques Wagner, com o programa Cesta do Povo. Com a entrada de Vorcaro, a operação evoluiu para o CredCesta, tornando-se uma das maiores operações de crédito consignado no estado. O ponto mais grave, segundo o ex-banqueiro, ocorreu em 2022, já sob o governo de Rui Costa. Um decreto estadual restringiu a portabilidade das dívidas dos servidores para outros bancos, garantindo ao Master um monopólio prático no setor.
O repasse de valores ilícitos teria sido efetuado por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e apontado como o operador financeiro das fraudes. A lista de alvos da delação não para por aí. O ex-banqueiro promete entregar um membro do Judiciário que teria atuado secretamente para impedir a liquidação do banco pelo Banco Central.
A farsa da colaboração seletiva
Apesar do potencial explosivo das revelações, os investigadores tratam a proposta com ceticismo. A PF acusa Vorcaro de usar o instrumento da delação para blindar comparsas e desvirtuar fatos. O banqueiro chegou ao cúmulo de vazar o teor de sua colaboração para os próprios investigados, o que levou o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, a barrar um dos advogados de defesa.
O caso Master escancara a promiscuidade entre o capital financeiro e o Estado burguês. Para a classe trabalhadora, que paga a conta do rombo bilionário, resta exigir que a investigação vá até o fim, sem acordos rebaixados que garantam a impunidade dos poderosos.





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