A reação mais contundente veio de um bloco heterogêneo, unido pela defesa da Carta da ONU. A Colômbia, sob a liderança de Gustavo Petro, não apenas condenou a ação, mas liderou a convocação de uma reunião de emergência do Conselho de Segurança. “O governo colombiano repudia a agressão contra a soberania da Venezuela e da América Latina”, declarou Petro. Na mesma linha, o Chile de Gabriel Boric e o México de Claudia Sheinbaum evocaram o direito internacional, rechaçando o uso da força.
A eles se juntou a África do Sul, que, com sua autoridade moral, classificou o ataque como uma clara violação da Carta das Nações Unidas. O movimento foi apoiado pelos adversários tradicionais dos EUA, como Rússia, China, Irã e Cuba, cujo presidente, Miguel Díaz-Canel, denunciou o “terrorismo de Estado” contra a Venezuela.
O aplauso dos aliados de Trump
Um terceiro grupo, mais sutil, emergiu: os aliados pragmáticos dos EUA. O Catar, uma potência do petróleo e parceiro estratégico de Washington, emitiu uma nota cuidadosa. Sem condenar o ataque, expressou “preocupação” e pediu “diálogo”. É a linguagem da diplomacia pragmática, que busca proteger seus próprios interesses sem confrontar diretamente o aliado poderoso, mesmo quando este viola as regras do jogo.
A invasão da Venezuela, portanto, fez mais do que capturar um presidente. Ela forçou cada nação a escolher um lado, não entre Maduro e a oposição, mas entre a defesa da soberania e a aceitação da lei do mais forte. A América Latina, agora publicamente dividida, entra em uma nova era de instabilidade, onde a ideologia pesa mais que o direito internacional e a paz regional está sob ameaça constante.
