O Ministério do Comércio da China anunciou nesta quarta-feira (5) contramedidas contra seis entidades dos Estados Unidos, proibindo empresas chinesas de manter relações comerciais com elas. A medida entra em vigor imediatamente e responde ao banimento imposto pelos EUA na semana passada contra 43 empresas chinesas sob o pretexto de “trabalho forçado” em Xinjiang. A China também apertou os controles de exportação de drones e tecnologias relacionadas para o mercado americano.
As seis entidades pichadas são: Applied DNA Sciences, Inc. (empresa de biotecnologia), Stratum Reservoir, LLC. (empresa de análise de recursos), Altana Technologies, Inc. (empresa de análise de cadeias de suprimento), Responsible Business Alliance (associação corporativa), Verite Group, Inc. (empresa de auditoria trabalhista) e Human Rights in China (organização não governamental). Todas, segundo o ministério, ajudaram e apoiaram as sanções ilegais dos EUA relacionadas a Xinjiang.
O pretexto e a guerra
Os EUA alegam “trabalho forçado” de uigures e outras minorias na região de Xinjiang para justificar sanções comerciais. A China nega e classifica a acusação como fabricação política. O ministério disse que a medida americana “viola gravemente o direito internacional e as normas básicas das relações internacionais, além de comprometer seriamente a soberania, a segurança e os interesses de desenvolvimento da China”. Ou seja: os EUA usam direitos humanos como arma econômica. A China responde com comércio.
O contexto é mais amplo. Os EUA vêm escalando uma guerra tecnológica contra a China desde 2022, com controles de exportação de semicondutores avançados, expansão da Entity List (lista de entidades restritas) e tarifas de até 245% sobre produtos chineses. O governo de Donald Trump baniu chips, restringiu acesso a tecnologia de inteligência artificial e proibiu a Federal Communications Commission (FCC) de aprovar equipamentos chineses. A China respondeu com controles de exportação de minerais críticos como gálio e germânio, essenciais para semicondutores e veículos elétricos, e agora com o banimento direto de empresas americanas.
A véspera da visita
A retaliação vem semanas antes de uma visita planejada de Xi Jinping a Washington. A mensagem é clara: a China não vai a mesa de negociação de joelhos. O South China Morning Post classificou a medida como a retaliação mais ampla desde a trégua de Busan. A CNBC disse que Pequim “virou o jogo” na guerra tecnológica. O Euronews notou que as contramedidas incluem controles sobre drones, um setor onde a China domina a cadeia global de suprimento.
As seis empresas pichadas não são gigantes como Apple ou Boeing. São entidades que operaram nos bastidores das sanções americanas, fornecendo relatórios, auditorias e “evidências” que sustentaram o narrative do “trabalho forçado”. A China foi cirúrgica: atingiu quem fabricou o pretexto.





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