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escala 6x1 Quaest renda
Trabalhador pobre é muito a favor do fim da escala 6x1. Quanto mais rico, menos favorável, diz pesquisa Quaest. Foto: FLIA (foto gerada por IA)
BRASIL

Pobre sim, rico não: a pesquisa 6×1 que a Fiesp ignorou

Nordeste tem 72% a favor; contra 63% no Sul

A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta segunda-feira (18) não apenas confirmou a maioria favorável ao fim da escala 6×1 — 68% dos brasileiros — como expôs uma verdade incômoda para quem ainda defende a manutenção do modelo: o apoio à redução da jornada é inversamente proporcional à renda. Quanto mais pobre, mais a favor. Quanto mais rico, maior a resistência.

O levantamento, que ouviu 2.004 pessoas entre 8 e 11 de maio, com margem de erro de dois pontos percentuais, cruzou os dados por região, renda, idade, sexo, escolaridade e posicionamento político. O resultado é um raio-X preciso de quem realmente precisa da mudança — e quem pode pagar para não ter pressa.

Raio-X por região

O Nordeste lidera o apoio com 72% dos entrevistados favoráveis ao fim da escala 6×1. Em seguida vêm Sudeste, Centro-Oeste e Norte, empatados com 66%. O Sul amarga a lanterna com 63% — a única região onde a rejeição (29%) se aproxima do terço dos entrevistados.

Apoio ao fim da escala 6×1 por região

Região
A favor
Contra
Nem/não sabem
Nordeste
72%
16%
12%
Sudeste
66%
24%
10%
Centro-Oeste / Norte
66%
22%
12%
Sul
63%
29%
8%

O abismo da renda

O dado mais revelador, porém, é o recorte por renda familiar. Entre quem ganha até dois salários mínimos, o apoio é de 70%. Na faixa de dois a cinco salários mínimos, cai para 68%. Entre quem ganha mais de cinco salários mínimos, despenca para 62%. A rejeição segue o caminho inverso: só 17% dos mais pobres são contra, contra 30% dos mais ricos.

Apoio ao fim da escala 6×1 por renda familiar

Renda familiar
A favor
Contra
Nem/não sabem
Até 2 SM
70%
17%
13%
2 a 5 SM
68%
22%
10%
Mais de 5 SM
62%
30%
8%

A evolução da queda (dezembro 2025 → maio 2026)

O apoio recuou em todas as regiões e faixas de renda. A queda mais expressiva foi no Sudeste, que saiu de 75% para 66% (-9 pontos). No Nordeste, foi de 77% para 72% (-5 pontos). O menor recuo foi entre os mais ricos, que já partiam de um patamar mais baixo: de 66% para 62% (-4 pontos). A maior queda relativa foi entre quem ganha até dois salários mínimos: de 77% para 70% (-7 pontos).

Os perfis que mais apoiam

A pesquisa também revelou outros recortes importantes:

  • Idade: Jovens de 16 a 34 anos são os mais favoráveis, com 73% de apoio. Entre os que têm 60 anos ou mais, o índice cai para 59%.
  • Sexo: Mulheres apoiam mais (70%) do que homens (66%).
  • Escolaridade: Quem tem ensino fundamental registra 71% de apoio, ante 64% entre quem tem ensino superior.
  • Posicionamento político: A esquerda não lulista lidera com 88% de apoio. Entre bolsonaristas, o índice é de apenas 44% — o menor de todos os segmentos, com 42% de rejeição.

Quando o salário entra na conta

O dado que mais interessa ao Centrão, no entanto, é o cenário com redução salarial. Se a proposta implicar corte no holerite, o apoio despenca para 39% e a rejeição dispara para 56%. Até entre os mais pobres, que mais apoiam a mudança, a rejeição sobe para 53% se houver perda de renda. Ou seja: a PEC precisa garantir o salário, ou o apoio popular vira contra ela em 24 horas.

O recado da Quaest é claro: o fim da escala 6×1 é uma demanda transversal, mas com peso desigual. Quem mais precisa — pobre, nordestino, jovem, mulher — é quem mais apoia. E quem mais resiste é quem nunca precisou acordar às 5h da manhã para pegar dois ônibus depois de trabalhar no sexto dia consecutivo.

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