Enquanto o pré-candidato neofascista à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), via seus aliados debandarem e as investigações se avolumarem, a esquerda brasileira tratou de organizar o terreno nos dois maiores colégios eleitorais do país. Neste sábado (25), convenções partidárias em São Paulo e no Rio Grande do Sul oficializaram as candidaturas de Fernando Haddad (PT) ao governo paulista e de Juliana Brizola (PDT) ao governo gaúcho — ambos com amplas coligações e discursos afinados com a reeleição do presidente Lula.
Se o campo progressista quer vencer a eleição, está montando o time para isso.
Haddad e França: a revanche em SP
O Partido dos Trabalhadores confirmou, em convenção realizada em Campinas, a candidatura do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad ao governo do estado de São Paulo. Na chapa, o ex-ministro do Empreendedorismo Márcio França (PSB) como vice. A convenção contou com a presença do presidente Lula e oficializou também 90 candidatos a deputado estadual e 56 a deputado federal.
Haddad disputa o Palácio dos Bandeirantes pela segunda vez. Em 2022, perdeu no segundo turno para o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), o pupilo de Bolsonaro que hoje governa o estado mais rico da federação com discurso de segurança pública e silêncio sobre os próprios vínculos com o ex-presidente condenado. Desta vez, a chapa une o PT ao PSB de França — um nome com capilaridade no interior e trânsito entre setores do centro que podem fazer diferença numa disputa que promete ser tão apertada quanto a anterior.

Juliana Brizola discursa na convenção do PT gaúcho. Foto: Divulgação PT-RS
Brizola e Pretto: a unidade gaúcha
No Rio Grande do Sul, a frente é ainda mais ampla. A ex-deputada estadual Juliana Brizola (PDT) foi oficializada candidata ao governo, com Edegar Pretto (PT) como vice, numa coligação que reúne oito partidos: PDT, PT, PCdoB, PV, PSol, PSB, Rede e Avante. Paulo Pimenta (PT) e Manuela D’Ávila (PSol) concorrem ao Senado nas duas vagas em disputa.
Do palco, Juliana Brizola lembrou o legado do avô, Leonel Brizola, e tratou de dar o tom da campanha. “A política só tem sentido se ela servir às pessoas, e não aos interesses de poucos. O povo precisa de uma governadora que cuide dele”, disse. “A partir de amanhã, começa a campanha. Vamos para a rua dizendo que aqui não tem lugar para o ódio.”
Edegar Pretto, ex-presidente da Conab, destacou os R$ 9 bilhões disponíveis no Funrigs — fundo criado com a suspensão do pagamento da dívida do RS com a União — como motor para investimentos no estado, e apontou a transição energética e o acordo Mercosul–União Europeia como janelas de oportunidade. “A gente vai transformar o Rio Grande do Sul em um grande canteiro de obras”, prometeu.
Dois estados, uma estratégia
A coordenada é clara. Em São Paulo, a aposta é numa chapa que une o ex-prefeito da capital com o ex-governador do estado, numa tentativa de descolar a imagem de Haddad da polarização pura com Tarcísio e atrair o eleitorado de centro. No Rio Grande do Sul, a frente de oito partidos tenta repetir a unidade que elegeu Olívio Dutra em 1998 e que, nos últimos anos, se perdeu em disputas internas enquanto a extrema direita avançava.
As duas candidaturas têm em comum o apoio explícito à reeleição de Lula, a composição com partidos que vão do PT ao PSol e um discurso de reconstrução contra o desmonte promovido por governos neoliberais e conservadores. Em SP, o alvo é Tarcísio, o homem de Bolsonaro que quer o palácio para chamar de seu. No RS, o inimigo é a extrema direita personificada em Luciano Zucco (PL), que ameaça repetir no estado o que o bolsonarismo fez no país.
O time está montado. A campanha começa amanhã. E, desta vez, a esquerda entra em campo dizendo que não vai perder para o fascismo outra vez.





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