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Motta empurra fim da escala 6×1 para comissão especial

Centrão tenta ganhar tempo para favorecer patrões

fim da escala 6x1
Hugo Motta tenta ganhar tempo para não votar o projeto que acaba com a escala 6/1. Foto: Agência Câmara

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), resolveu tirar da gaveta o ato que cria a comissão especial para analisar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/19. O texto, que propõe o fim da escala 6/1, de seis dia de trabalho por um de descanso, chega ao colegiado após a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) dar o sinal verde na última quarta-feira (22). Agora, Motta tenta o impossível: equilibrar o prato dos financiadores de campanha com o medo de ser escorraçado pelas urnas em poucos meses.

A comissão terá 37 titulares e prazo de 40 sessões para dar um parecer. Estão no jogo a proposta de Reginaldo Lopes (PT-MG), que reduz a carga para 36 horas em dez anos, e a de Erika Hilton (PSOL-SP), que prevê a semana de quatro dias. Ambas enterram a escala 6×1, uma herança escravocrata que o Movimento Vida Além do Trabalho (VAT) colocou na mira da opinião pública. A aprovação simbólica na CCJ mostrou que, no ano eleitoral, até o Centrão finge que se importa com a saúde mental da classe trabalhadora.

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O drible de Lula no labirinto do Centrão

Sabendo que o rito das PECs na Câmara é um cemitério de projetos populares, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou um Projeto de Lei (PL) com urgência constitucional. O texto do governo é mais pragmático: reduz a jornada de 44 para 40 horas e acaba com o 6×1. Diferente da PEC, o PL tranca a pauta em 45 dias se não for votado. Ou seja, Motta não vai conseguir esconder o debate embaixo do tapete por muito tempo.

Para aprovar a PEC no plenário, são necessários 308 votos em dois turnos. Motta, o beócio da vez, sabe que o custo político de barrar o descanso do trabalhador é alto demais. A elite econômica pressiona nos bastidores para manter a exploração máxima, mas o cheiro de urna eletrônica está forçando o Congresso Inimigo do Povo a, pelo menos, simular algum serviço. O jogo agora é entre a urgência da vida e a lentidão da burocracia patronal.

Saiba quem é quem

A resistência à redução da jornada de trabalho e ao fim da escala 6×1 no Congresso Nacional não é apenas uma questão técnica, mas um reflexo direto do alinhamento do Centrão e da extrema-direita com os interesses patronais. Enquanto o povo sofre com a exaustão, o “Congresso Inimigo do Povo” articula manobras para esvaziar a proposta.

Abaixo, os principais parlamentares e grupos do Centrão que têm liderado a resistência ou condicionado o apoio a termos que beneficiam apenas o capital.

Lideranças e Partidos em Resistência

O bloco formado por União Brasil, PL, PP e Republicanos concentra a maior parte dos deputados que se opõem à proposta original da deputada Erika Hilton (PSOL-SP).

🔴 Os “Defensores do Capital”

  • Paulo Azi (União Brasil-BA): Como relator na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Azi limitou-se a dar um parecer técnico de admissibilidade, mas nos bastidores é um dos articuladores que defendem que o tema não pode elevar o “Custo Brasil”. Ele é uma das vozes que sugerem manter a jornada de 44 horas, apenas redistribuindo os dias, o que anularia o ganho real de descanso do trabalhador.
  • Hugo Motta (Republicanos-PB): O presidente da Câmara, embora tenha criado a comissão especial sob pressão, tem dado declarações ambíguas. Ele afirma que o foco é a redução “sem redução salarial”, mas condiciona o avanço da pauta à “viabilidade econômica”, um jargão comum para proteger as margens de lucro das empresas que financiam seu partido.
  • Bancada do PL (Partido Liberal): A maioria dos deputados da legenda de Jair Bolsonaro votou contra ou se manifestou publicamente de forma debochada sobre a proposta, classificando-a como “eleitoreira” ou “populista”. Parlamentares como Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Nikolas Ferreira (PL-MG) lideram a narrativa de que o fim da escala 6×1 “quebraria as pequenas empresas”, ignorando os lucros recordes do grande capital.

🟠 Manobras do Centrão

Partidos como PSD, MDB e PP utilizam a estratégia da “divisão estratégica”. Enquanto alguns deputados assinam a PEC para não perder votos em suas bases, as lideranças travam o mérito na comissão especial.

  • Resistência à jornada de 36 horas: O consenso no Centrão é aceitar o fim da escala 6×1 (trabalhar 6 dias e folgar 1), mas manter as 44 horas semanais. Isso forçaria o trabalhador a cumprir jornadas diárias exaustivas de quase 9 horas, mantendo a produtividade exploratória intacta.
  • A Pesquisa Quaest: Um levantamento recente indicou que cerca de 70% dos deputados federais são, no fundo, contrários ao fim da escala nos moldes propostos pela esquerda. Isso mostra que, sem mobilização popular nas ruas, o projeto corre o risco de ser “desidratado” na comissão recém-criada por Motta.

📋 Resumo das Resistências

A tabela abaixo organiza como os principais blocos estão se posicionando para boicotar o interesse dos trabalhadores:

Grupo/Partido Estratégia de Boicote Justificativa Usada
Extrema-Direita (PL) Oposição frontal e deboche “Vai quebrar o comércio”
Lideranças do União Brasil Relatórios “técnicos” que travam o mérito “Análise de constitucionalidade”
Cúpula do Republicanos Criação de comissões para ganhar tempo “Necessidade de amplo debate”
Bloco do Centrão (PP/PSD) Defesa das 44h semanais (sem 6×1) “Evitar o aumento do Custo Brasil”

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