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Fim da escala 6x1 Senado
Senador Omar Aziz (PSD-AM), relator da PEC do fim da escala 6x1. Foto: Geraldo Magela/Agência Senado
BRASIL

Vida de milhões de trabalhadores brasileiros está prestes a mudar

Relator avisa que vai acelerar fim da escala 6x1 no Senado

O relator da PEC do fim da escala 6×1 no Senado, Omar Aziz (PSD-AM), confirmou que preservará o texto aprovado pela Câmara dos Deputados e descartou grandes mudanças. A sinalização reforça a expectativa de que a matéria avance durante a semana de esforço concentrado do Congresso, entre 31 de agosto e 4 de setembro. Interlocutores do presidente Lula avaliam que há “grandes chances” de a PEC chegar ao plenário no período. A proposta estabelece jornada de até 40 horas semanais, com dois dias de descanso remunerado e sem redução salarial.

Isso importa porque a PEC estava engavetada no Senado desde maio, sob acordo fechado entre o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, e Flávio Bolsonaro, para, vergonhosamente, não inflar a candidatura de Lula em ano eleitoral. Alcolumbre só destravou após reuniões com o presidente. Agora, o texto está na CCJ, e Aziz quer acelerar. A articulação ocorre em paralelo à reaproximação entre Lula e Alcolumbre, com nova reunião prevista para esta quarta-feira (26) com o presidente da Câmara, Hugo Motta.

O contexto é de uma disputa eleitoral escancarada. Enquanto Lula mobiliza o governo pela aprovação — “o nosso governo está mobilizado para a aprovação do fim da escala 6×1, sem redução do salário” — aliados de Flávio Bolsonaro articulam nos bastidores do Senado estratégias para retardar a tramitação. O plano é usar pedidos de vista e emendas para prolongar a análise e impedir que a redução da jornada chegue ao plenário antes das eleições. A manobra é eleitoral e ocorre no mesmo momento em que a hashtag #investiguemfláviobolsonaro domina os trending topics, denunciando a paralisia do inquérito sobre os US$ 161 milhões do Banco Master.

Quase 70% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1, segundo pesquisa Quaest. A Câmara aprovou com apenas 19 votos contrários. O Senado é o último obstáculo. E o obstáculo tem nome: Flávio Bolsonaro, que foi à Fiesp conspirar com os patrões paulistas contra a medida. Sua coordenadora econômica de campanha, Daniella Marques, classificou o debate como “populista e inócuo”. Populista é garantir dois dias de descanso a quem trabalha seis. Inócuo é dar tempo ao trabalhador para viver.

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As frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo convocaram o Dia Nacional de Mobilização pelo Fim da Escala 6×1 para o dia 30 de agosto. Atos de rua em todo o país, pressão sobre os senadores e blitz em Brasília. A data antecede a semana de esforço concentrado. A democracia se defende nas ruas — e a conquista dos direitos também.

A contradição central

Flávio Bolsonaro articula obstrução regimental para engavetar a pauta mais popular do ano — aprovada por 70% dos brasileiros — enquanto foge de explicar os US$ 161 milhões do Banco Master. Lula mobiliza o governo, o relator preserva o texto e a rua convoca mobilização nacional para o dia 30. De um lado, o patronato. Do outro, o trabalhador. A escolha nunca foi tão clara.

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