O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato neofascista à Presidência da República, apareceu filiado ao Partido Missão no sistema da Justiça Eleitoral na quarta-feira (12) e não conseguiu registrar sua candidatura presidencial. O cadastro falso, efetivado às 9h05 de 2 de agosto, usou o nome “Flávio Nantes Bolsonaro”, o título eleitoral do parlamentar, seu e-mail institucional do gabinete, seu telefone, um CPF fictício (“123.456.789-09”) e o endereço “Rua dos Bandidos, nº 666, Bairro Miliciano, Rio de Janeiro/RJ”. O TSE negou que o sistema tenha sido hackeado e informou que “alguém que possuía as credenciais da legenda” efetivou a filiação.
O Partido Missão afirmou que foi vítima de “tentativa de filiação fraudulenta” e que o sistema registrou que alguém com acesso ao e-mail institucional do gabinete de Flávio abriu e clicou na mensagem com o título “Conclua sua filiação”. A legenda tentou cancelar a filiação no mesmo dia, 2 de agosto. O TSE rejeitou o cancelamento. Os e-mails enviados pelo Missão desde o dia 2 foram abertos e ignorados pela equipe do senador.
Nunes Marques corre para salvar
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques, determinou nesta quinta-feira (13) o restabelecimento imediato da filiação de Flávio ao PL e a exclusão do vínculo com o Missão. A medida libera o registro da candidatura. Nunes Marques acolheu integralmente o pedido de urgência da defesa e ordenou que o PL recupere a filiação com efeitos desde 30 de novembro de 2021. Classificou como “inverossímil” a hipótese de migração voluntária. O ministro determinou ainda a preservação dos logs do sistema Filia e o envio de ofício à Polícia Federal (PF) para abertura de inquérito.
O endereço que diz tudo
O cadastro falso é uma chacota. Mas o endereço é mais verdade do que piada. “Bairro Miliciano” é onde Flávio Bolsonaro mora, politicamente. O senador é filho de Jair Bolsonaro, aliado histórico das milícias do Rio de Janeiro, e seu próprio gabinete foi apontado em investigações como núcleo de articulação com o crime organizado fluminense. O “nº 666” é o toque de humor macabro. O CPF “123.456.789-09” é o de quem não se preocupa em esconder. E quem fez o cadastro usou o e-mail institucional do gabinete do senador. Ou seja: foi alguém de dentro.
A engrenagem é clara. Alguém com acesso ao e-mail do gabinete de Flávio clicou em “Conclua sua filiação”. O Missão tentou cancelar. O TSE não deixou. Flávio entrou em pânico. Nunes Marques correu para salvar a candidatura. A PF vai investigar. E o endereço falso diz mais sobre o candidato do que qualquer plano de governo. “Rua dos Bandidos, Bairro Miliciano”. É aí que ele mora.





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