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Flávio implora interferência dos EUA
Ainda como pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro se ajoelha aos EUA e promete riquezas nacionais e até o PIX. Foto: FLIA (Imagem criada com IA)
BRASIL

Ele foi tão longe quanto Joaquim Silvério dos Reis

Carta a Trump promete amarrar Pix e destruir Mercosul

Em franco derretimento nas intenções de voto dos brasileiros depois que foi flagrado pedindo dinheiro do banqueiro corrupto Daniel Vorcaro e de ter esculachado a madrastra neofascista evangélica Michele Bolsonaro, o senador e pré-candidato igualmente neofascista porém não evangélico à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ultrapassou a fronteira do mero entreguismo e adentrou o terreno da traição aberta à pátria. Em um documento de 86 páginas enviado ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), Flávio praticamente implora por uma intervenção americana nas eleições brasileiras de outubro. O pretexto é oficial: pedir a suspensão do tarifaço de 25% sobre as exportações do Brasil. O motivo real, confessado no próprio texto, é eleitoral: a tarifa estaria dando a Lula “exatamente a vitória política que vem arquitetando”.
A lógica de Flávio é abjeta. Ele argumenta ao governo de Donald Trump que punir o Brasil agora “recompensaria” o atual governo, que estaria usando o confronto com os EUA para ganhar pontos internamente. O senador pede que qualquer decisão seja adiada para depois das eleições, admitindo que a política comercial americana deve ser usada para manipular o resultado das urnas no Brasil. É um convite escancarado para que uma potência estrangeira tutele a democracia nacional.

A liquidação da soberania

O documento não se limita ao calendário eleitoral. É um cardápio completo de submissão voluntária. Flávio promete ao governo americano buscar formas de “se libertar das amarras do Mercosul” para negociar diretamente com os EUA, citando o ultradireitista argentino Javier Milei como exemplo a ser seguido. A destruição do bloco sul-americano, um pilar histórico da diplomacia brasileira, é oferecida de bandeja.

No setor financeiro, o entreguismo atinge o delírio. Flávio defende o Pix — que ele tenta falsamente faturar para o governo do pai —, mas propõe um “compromisso legislativo de que o Pix não será interligado a arranjos transfronteiriços de liquidação de pagamentos não ocidentais”. Ou seja, ele promete aos EUA que o Brasil não usará sua própria tecnologia para negociar com os BRICS ou a China, o que seria francamente favorável ao país.

Defesa de quem lucra

Como se não bastasse ajoelhar diante de Washington, Flávio ainda usa o documento para defender as operadoras privadas de cartão de crédito e débito, pedindo a redução da carga tributária e regulatória sobre essas empresas. O candidato que fala em “Deus, Pátria e Família” vai ao exterior pedir que o governo americano pressione o Brasil a beneficiar o sistema financeiro privado contra os brasileiros!

O pedido de Flávio Bolsonaro não é um ato de diplomacia. É o clamor de um vassalo que, incapaz de vencer nas urnas com um projeto nacional, pede à metrópole que intervenha no processo eleitoral e, em troca, oferece as riquezas e a soberania do próprio país.

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