O candidato neofascista à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), abriu sua campanha à Presidência neste domingo (16), em Copacabana, no Rio de Janeiro, com a promessa de aplicar um “tesouraço” nos gastos públicos a partir de janeiro. “Eu vou organizar essas contas e vou tirar o Brasil do vermelho. Você vai deixar de ter dívidas. Eu vou fazer um tesouraço a partir de janeiro do ano que vem”, afirmou, diante de uma plateia esvaziada. Chamou o presidente Lula de “caloteiro da esperança” e comparou-se a si mesmo com o filho de Pelé: “Sei que pareço com ele. Mas é difícil comparar o filho do Pelé com o Pelé”.
O problema do discurso de Flávio é que ele corta o que não precisa ser cortado. O Brasil não está quebrado. Quem diz isso não é o governo. É uma das maiores estudiosas do mundo sobre processos de desenvolvimento econômico.
A mentira que sustenta o tesouraço
A economista Jayati Ghosh, professora da Universidade de Massachusetts Amherst, esteve no Brasil e saiu atônita com a autoflagelação fiscal do país. “Vocês têm reservas muito grandes. Vocês têm uma inflação relativamente baixa. E têm uma razão dívida pública/PIB relativamente baixa. Vocês estão na metade inferior dos países em termos de razão dívida pública/PIB”, disse. E perguntou: “No entanto, vocês dizem: ‘Ah, meu Deus, temos que ter um superávit orçamentário primário.’ Por quê?”
A dívida pública brasileira está em 81,9% do PIB. Japão tem 250%. Itália, 140%. Estados Unidos, 120%. Ninguém nesses países fala em país quebrado. A dívida subiu principalmente por causa dos juros, não dos gastos. A Selic esteve em 15% ao ano. Nenhum país do mundo paga tanto sobre a própria dívida. O custo financeiro do governo atingiu R$ 149 bilhões no primeiro semestre de 2026. Quem lucra é o rentista.
O tesouraço que sangra o povo
Flávio propõe amarrar a dívida da União ao endividamento das famílias. É cortar investimento público, educação, saúde e programas sociais para pagar juros a especuladores. Ghosh explica: “O investimento público atrai o investimento privado. Ele cria infraestrutura, fornece serviços e comodidades, gera demanda e melhora as condições de oferta. Vocês têm espaço para fazer isso. Podem gastar muito mais em investimento.”
O governo Lula reduziu a Selic de 15% para 14%, controlou a inflação, retomou o PAC, perdoou R$ 4 bilhões em dívidas do Fies, abriu novos campi federais e reconstruiu o Minha Casa Minha Vida. É o oposto do tesouraço. É investimento no povo.
Flávio não tem proposta. Tem tesoura. E a tesoura serve para cortar o que o país precisa crescer. O ato em Copacabana foi esvaziado. A candidatura é esvaziada. A mentira fiscal é esvaziada. O Brasil não está quebrado. Mas se o tesouraço de Flávio vingar, vai estar.





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