O neofascista senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, admitiu nesta terça-feira (19) que se reuniu com o banqueiro Daniel Vorcaro depois que o dono do Banco Master foi preso pela primeira vez, em novembro de 2025, no âmbito da Operação Compliance Zero. A alegação do senador é que o encontro após Vorcaro ter passado dez dias detido serviu para “encerrar a participação do banqueiro na produção do filme” que retrata a história do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A revelação é mais um capítulo da novela que expõe a relação entre o clã Bolsonaro e o banqueiro acusado de liderar o que pode ser a maior fraude já cometida contra o Sistema Financeiro Nacional, com potencial prejuízo de dezenas de bilhões de dólares. Até o portal The Intercept Brasil tornar público que Vorcaro teria injetado R$ 134 milhões na produção do filme “Dark Horse”, dos quais ao menos R$ 61 milhões foram efetivamente liberados, Flávio dizia não ter relações com o banqueiro. Com o vazamento de seus áudios, passou a admitir o contato.
“Fui sim ao encontro dele para botar um ponto final nessa história”
A declaração foi dada por Flávio a jornalistas nesta terça-feira. “E para dizer que, se ele tivesse me avisado que a situação era grave, eu já teria ido atrás de outro investidor há muito mais tempo”, completou o senador, como se o problema fosse apenas a falta de comunicação, e não o fato de o dinheiro vir de um esquema bilionário de fraudes.
Flávio alegou que conheceu Vorcaro por intermédio de um terceiro, que lhe apresentou o banqueiro como alguém “acima de qualquer suspeita”. “Uma pessoa que, na época, era uma pessoa que circulava em todas as rodas, aqui em Brasília, ia a eventos com a presença de ministros, alta-roda de empresários, patrocinava eventos de várias emissoras de televisão, inclusive fora do Brasil”, comentou o senador, descrevendo o banqueiro como se ele fosse apenas mais um figurante do circuito brasiliense e, ao mesmo tempo, lançando uma ameaça velada à Rede Globo, que também andou enrabichada com Vorcaro.
“Deu uma virada de chave”
Segundo Flávio, Vorcaro cumpriu com o combinado até maio de 2025, quando passou a atrasar os pagamentos. “No final de 2025, foi aquele áudio que todos ouviram, em que eu peço uma luz, uma palavra final sobre o que vai acontecer, porque o filme já estava correndo grande risco de ser encerrado, o que seria uma grande catástrofe”, afirmou. Logo após o áudio, Vorcaro foi preso pela primeira vez. “Nesse momento, vimos que deu uma virada de chave. Entendemos melhor que a situação era muito mais grave.”
Ao fim do anúncio à imprensa, o senador informou que solicitou à produtora do filme sobre seu pai que apresente uma prestação de contas transparente e que eventuais lucros futuros sejam colocados à disposição da Justiça. Agora resta saber se a Justiça vai engolir essa versão ou se o “ponto final” de Flávio vai virar mais um capítulo da relação “fraterna”, “irmã”, entre a família Bolsonaro e o dinheiro do crime financeiro.






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