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Haddad prepara medidas fiscais para conter gastos e manter meta de déficit zero

Ministro da Fazenda vai divulgar na quinta plano fiscal completo para 2025 e 2026, com foco em elevar receitas sem penalizar os mais pobres

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou nesta segunda-feira (19) que o governo vai apresentar um conjunto de medidas fiscais pontuais para equilibrar as contas públicas e garantir a meta de déficit zero. As propostas, que serão detalhadas na próxima quinta-feira (22), buscam enfrentar gargalos de arrecadação e corrigir distorções que aumentam os gastos sem necessidade.

A decisão ocorre num momento em que o governo precisa manter a credibilidade fiscal sem comprometer os investimentos sociais e o crescimento. As ações serão apresentadas junto ao Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas, documento que norteia a execução orçamentária do país.

“Vamos dar ao público todo o quadro fiscal deste ano e a projeção para o ano que vem também”, disse Haddad após reunião com o presidente Lula. “Até quinta-feira sai tudo.”

Medidas pontuais, não pacote

Haddad evitou chamar o conjunto de medidas de “pacote” e reiterou que as ações serão focadas e técnicas. “São ajustes para corrigir distorções. Não se trata de uma mudança estrutural ampla, mas de resolver entraves que hoje drenam recursos públicos sem efetividade.”

Na semana passada, o anúncio foi adiado por conta do luto oficial pela morte do ex-presidente uruguaio José Mujica. O ministro não antecipou números, mas garantiu que haverá previsões para 2025 e 2026, o que representa uma inovação no formato do relatório bimestral.

Reação à crise do INSS

Questionado sobre a compensação para os R$ 6 bilhões descontados ilegalmente de aposentados e pensionistas entre 2019 e 2025, Haddad negou que o tema tenha sido tratado com Lula nesta segunda. O caso, revelado pela PF, mostra que entidades se apropriaram de valores sem autorização dos beneficiários.

Apesar disso, o governo monitora o impacto social e jurídico da fraude, e novas medidas podem ser incluídas nas semanas seguintes. A Frente Livre cobra uma resposta mais firme diante da gravidade da situação.

Transparência e compromisso fiscal

A equipe econômica pretende reforçar o compromisso com o novo arcabouço fiscal, que limita os gastos à inflação mais 0,6% a 2,5% do crescimento real. Para tanto, serão anunciadas ações corretivas e dispositivos de contenção, sem penalizar trabalhadores nem reduzir os investimentos em saúde, educação ou infraestrutura.

“Não se trata de cortes generalizados, mas de eficiência na gestão pública. A população exige responsabilidade com o dinheiro público, mas também sensibilidade social”, afirmou uma fonte da equipe técnica.


[Diferença entre ajuste fiscal com Lula e com Bolsonaro]

Aspecto Governo Bolsonaro Governo Lula
Política fiscal Cortes em saúde e educação Medidas pontuais com foco social
Diálogo com o Congresso Pressão e chantagem Construção de consensos
Impacto sobre os pobres Aumento de pobreza e fome Defesa de programas sociais
Compensações tributárias Benefícios a bancos e grandes empresas Foco em justiça fiscal e progressividade

Fonte: Agência Brasil

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