O governo do Irã informou neste sábado (23) que houve “progresso real” nas negociações mediadas pelo Paquistão para encerrar a guerra imposta pelos Estados Unidos, enquanto o trânsito de navios pelo Estreito de Ormuz segue sob supervisão direta da Marinha do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (IRGC, na sigla em inglês). As declarações foram confirmadas por autoridades iranianas à emissora estatal PressTV.
O anúncio ocorre após semanas de escalada militar causada pelo bloqueio naval dos EUA, que afetou o comércio global e foi denunciado por Teerã como uma violação flagrante da soberania iraniana e do direito internacional.
Apesar do cerco norte-americano, o Irã afirma que “todas as travessias recentes foram realizadas em coordenação” com o IRGC, demonstrando que Washington não conseguiu isolar o país nem assumir controle da rota marítima mais estratégica do mundo.
Mediação paquistanesa altera clima das negociações
Segundo PressTV, os avanços ocorreram em reuniões realizadas em Islamabad e Doha, onde representantes do Paquistão foram responsáveis por aproximar os dois lados. A chancelaria iraniana classificou as negociações como “um passo concreto” e afirmou que qualquer acordo final deve incluir garantias sobre o fim da guerra, a suspensão total das agressões dos EUA e a normalização das operações civis na região.
O Paquistão, aliado militar histórico dos EUA, tem assumido protagonismo inesperado na mediação — movimento que expõe o enfraquecimento da estratégia de pressão norte-americana, incapaz de impor sua agenda mesmo com presença militar no Golfo Pérsico.
Trânsito segue seguro sob comando iraniano
Além do progresso diplomático, o Irã coordenou a passagem de navios comerciais sem incidentes, mantendo não apenas a segurança da rota como sua autoridade legal sobre o estreito. O governo reforçou que nenhuma embarcação pode cruzar a região sem autorização prévia de Teerã, posição que confronta diretamente as tentativas de Washington de redesenhar a governança marítima local.
Teerã também reiterou que qualquer acordo com os EUA não incluirá negociações sobre o programa nuclear iraniano, considerado pela diplomacia do país um tema soberano e “não negociável”.
Líder neofascista confirma
Do outro lado do mundo, o presidente neofascista dos EUA, Donald Trump, confirmou que as negociações estão praticamente concluídas. Ele afirmou que um acordo de paz com o Irã foi “em grande parte negociado” e está sendo finalizado, sinalizando um possível avanço após quase três meses de guerra e repetidas ameaças de novos ataques dos EUA.
Trump disse ter tido o que descreveu como uma “conversa muito boa” do Salão Oval com líderes e autoridades da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Paquistão, Turquia, Egito, Jordânia e Bahrein sobre o Irã e “todos os assuntos relacionados a um Memorando de Entendimento sobre a Paz”.
“Um acordo foi em grande parte negociado, sujeito à finalização, entre os Estados Unidos da América, a República Islâmica do Irã e os vários outros países”, escreveu Trump no Truth Social.
Ele acrescentou que conversou separadamente com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e que a ligação “também foi muito boa”.
Netanyahu ficou furioso após a ligação de Trump sobre o Irã.




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