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Brasil tem jornada maior que EUA, França e Japão

Holanda tem 30h semanais e Bélgica, escala 4x3

Enquanto o Congresso brasileiro discute se reduz a jornada de 44 para 40 horas semanais e o fim da escala de trabalho 6×1— e se adota um prazo de transição de dez anos proposto pelo bolsonarismo —, os vizinhos da América Latina já passaram a régua. O Chile aprovou a redução gradual de 45 para 40 horas semanais até 2029. A Colômbia saiu de 48 para 42 horas, com previsão de chegar a 40. O México já adota as 40 horas. O Brasil, que ostenta orgulhosamente o posto de única economia do G7 em que a jornada legal ultrapassa as 40 horas, ainda está na fase do “vamos discutir”.

De acordo com dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e do IBGE, a média real de horas trabalhadas no Brasil é de 40,1 horas semanais. O número é inferior à média global de 42,7 horas, mas superior às 38,6 horas dos Estados Unidos, às 35,5 horas do Japão e às 35 horas da França. Em todos os países do G7 — o seleto clube das maiores economias do mundo — a jornada legal é inferior à brasileira.

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Arte: FLIA

O Brasil e a fila dos BRICS

O levantamento do site Quero Bolsa, com base em dados oficiais, mostra que o Brasil ocupa uma posição intermediária no ranking internacional: trabalha mais que os países desenvolvidos, mas menos que várias nações emergentes. A questão não é só a quantidade de horas, mas a produtividade. O trabalhador brasileiro passa mais tempo no expediente que o norte-americano, o japonês e o francês, mas entrega menos por hora — resultado direto de um modelo de exploração que prioriza a presença sobre a eficiência.

A experiência internacional já demonstrou que a redução da jornada não é apenas possível como desejável. A Bélgica foi o primeiro país da Europa a legislar sobre a semana de quatro dias. Pilotos da chamada “4 Day Week” foram realizados em 13 países, incluindo Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Alemanha e Chile, todos com resultados positivos de produtividade e bem-estar dos trabalhadores. A Holanda, com suas 30 horas semanais, é frequentemente citada como exemplo de que é possível trabalhar menos e viver melhor.

O abismo da escala 6×1

Enquanto isso, o Brasil mantém a escala 6×1 como regra em setores inteiros da economia — comércio, restaurantes, hotéis —, submetendo o trabalhador a seis dias de labuta para um único dia de descanso.

Os países que já reduziram a jornada e adotaram modelos como o 5×2 ou o 4×3 não quebraram. Pelo contrário, registraram ganhos de produtividade e redução de adoecimento mental.

Mas aqui, o relator da comissão especial, deputado Leo Prates (PDT-BA), ainda tenta conciliar a pressão patronal com os direitos dos trabalhadores, enquanto a extrema direita articula para travar qualquer avanço por dez anos.

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