O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aproveitou uma agenda focada na saúde pública para enviar um recado direto aos Estados Unidos e a Israel. Durante visita à fábrica da farmacêutica Bionovis, no interior de São Paulo, nesta terça-feira (3), Lula exibiu a caixa de um medicamento de alto custo para a doença de Crohn e traçou um paralelo irônico com a escalada militar no Oriente Médio.
Ao segurar o remédio, distribuído gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o presidente demarcou a diferença entre as prioridades do Brasil e as potências bélicas. “Se você ligar a televisão de noite, está falando de guerra. Se você ligar a televisão de manhã, está falando de morte, de drone, de mísseis, de invasão. E aqui nós estamos falando de salvar vidas. Isso aqui é o nosso míssil. Não o míssil para matar, o míssil para salvar”, disparou Lula.
A declaração ocorre em um momento de extrema tensão global, logo após os ataques militares conduzidos por forças americanas e israelenses contra o Irã. O contraste narrativo foi estrategicamente calculado para reforçar a posição diplomática brasileira de repúdio aos conflitos armados e de defesa da soberania pela via pacífica.
A força do SUS e a produção nacional
Acompanhado pelos ministros Alexandre Padilha (Saúde), Fernando Haddad (Fazenda) e Simone Tebet (Planejamento), Lula inspecionou as instalações da indústria de biotecnologia. A empresa é responsável por fornecer milhões de frascos e seringas ao sistema público, fortalecendo a produção nacional de medicamentos biológicos.
O presidente aproveitou o palanque para exaltar o caráter universal do SUS, que garante terapias caríssimas a pacientes com enfermidades inflamatórias intestinais, independentemente da classe social.
“O SUS não vale o berço em que as pessoas nasceram. O que vale é a decência e a respeitabilidade a 215 milhões de brasileiros, que têm direito a ter um tratamento digno e respeitoso”, declarou.
A visita à Bionovis consolida a aposta do governo federal na retomada do complexo econômico-industrial da saúde. O objetivo é reduzir a dependência externa na compra de insumos e garantir que o “míssil” brasileiro continue chegando às farmácias do SUS.
