A eleição de 2026 é, na prática, um referendo sobre o governo Luiz Inácio Lula da Silva. Como o incumbente tem direito à reeleição, o eleitor não escolhe entre dois projetos abstratos: ele julga o que foi feito nos últimos quatro anos. E o julgamento tem números. A Frente Livre reuniu uma série de indicadores que medem a capacidade do governo de gerar bem-estar à população e comparou com o mandato de Jair Bolsonaro, que foi rejeitado pela população nesse mesmo referendo ao qual Lula se submete em 2026. O resultado da comparação é uma fotografia clara: em quase tudo, Lula 3 superou o antecessor. Em um ponto, ficou para trás — e a explicação está no Banco Central.
O que está em jogo
Um referendo não pergunta “quem você prefere”. Pergunta “você aprova o que está aí?”. Por isso, a campanha de 2026 não deveria girar em torno de promessas, mas de balanço. O governo Lula 3 pode ser medido por aquilo que entregou: emprego, renda, preço da comida, segurança pública, valor das empresas nacionais. É esse conjunto que define se o brasileiro vive melhor ou pior do que vivia. E é esse conjunto que os números abaixo descrevem.
A tabela com os dados completos está ao fim deste texto.
Crescimento: a economia quase dobrou de ritmo
O Produto Interno Bruto (PIB) acumulado no mandato de Bolsonaro ficou em cerca de 5,6% no quadriênio. Sob Lula 3, o crescimento acumulado já passa de 11%, com 2026 ainda em andamento. Ou seja: a economia brasileira cresceu quase o dobro no governo atual. Não é detalhe técnico — é a diferença entre um país que anda e um país que corre.
Inflação: a comida voltou a caber no prato
O contraste mais doloroso está nos preços. No governo Bolsonaro, a inflação acumulada chegou a cerca de 27%, e os alimentos subiram 54,2%. Sob Lula 3, a inflação acumulada é de 17,9% — a menor desde a criação do Plano Real — e a comida subiu 13,6%. A cesta básica caiu em 25 das 27 capitais entre julho e agosto de 2026. Quem viveu o preço do arroz disparando em 2020 sabe o que esses números significam na prática: a diferença entre escolher o que comer e comer o que dá.
Emprego: o desemprego no menor patamar da história
A taxa de desemprego chegou a um pico de cerca de 14% na pandemia e fechou 2022 em média de 9,3%. Sob Lula 3, caiu para 5,6% em 2025 e 5,3% no segundo trimestre de 2026 — o menor patamar já registrado na série histórica. As vagas formais acompanham: Bolsonaro criou cerca de 5,5 milhões de empregos com carteira no quadriênio; Lula 3 já soma mais de 10 milhões desde 2023. Emprego formal é mais que estatística: é dignidade, é o trabalhador saindo da informalidade e da insegurança.
Renda: o salário voltou a subir de verdade
A renda média do trabalho, que ficou estagnada e em queda no governo anterior, bateu recorde de R$ 3.367 em 2025, alta de 11,1% sobre 2019. O salário mínimo, corroído pela inflação no mandato bolsonarista, voltou a ganhar do custo de vida e a projeção da Fazenda é de R$ 1.741 em 2027. Renda real acima da inflação é o que faz a diferença chegar à mesa do trabalhador — e não ficar presa nos relatórios.
Consumo: o varejo vende mais
As vendas do varejo cresceram 1,8% em 2019, 1,2% em 2020 e 1,4% em 2021 no governo Bolsonaro. Sob Lula 3, o ritmo foi maior: 4,1% em 2024 e 1,6% em 2025. Consumo em alta é o reflexo direto de mais gente com emprego e com renda. É a economia girando para o trabalhador, não apenas para o capital.
Segurança: os roubos caíram
Os dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) mostram que os roubos, que voltaram a subir em 2021 e 2022, época áurea do discurso do “prendo e arrebento” e do “CPF cancelado” caíram de forma consistente sob Lula 3. No quadriênio bolsonarista, foram 3.407.904 ocorrências; no acumulado de 2023 a 2025, 2.226.472 — uma queda de cerca de 30% em três anos, com o menor patamar da série histórica. Indicador de segurança pública reflete a renda do trabalho e a desigualdade social. Quando estas sobem, aqueles caem. Não é a violência que resolve. É o avanço social.
A única derrota — e a explicação que a direita esconde
Há um indicador em que Lula 3 ficou atrás do antecessor: a taxa de investimento. Bolsonaro fechou 2022 com 18% do PIB investido; Lula 3 registrou 16,4% em 2023 e 16,8% em 2025. É a única derrota do comparativo — e a explicação não está no governo, mas no Banco Central.
Lula 3 teve de conviver por dois anos com um presidente do Banco Central indicado por Bolsonaro. Roberto Campos Neto, nomeado pelo antecessor, manteve a taxa básica de juros nas alturas sem necessidade, asfixiando a economia. Juro alto encarece o crédito, desestimula o empresário a investir e trava a construção de fábricas, máquinas e infraestrutura. Foi exatamente isso que segurou o investimento produtivo nos primeiros anos do mandato.
Não é coincidência que a taxa de investimento tenha começado a reagir justamente quando o comando do Banco Central mudou. A autonomia da instituição, criada sob Bolsonaro, virou instrumento de sabotagem econômica: um presidente do BC nomeado pelo antecessor, com mandato fixo, mantendo juros altos para asfixiar o governo que o sucedeu. O custo disso foi pago pelo trabalhador, na forma de menos investimento, menos crescimento e menos empregos do que seria possível.
O veredito do referendo
Quando se soma tudo, o balanço é claro. Em crescimento, inflação, emprego, renda, consumo e segurança, Lula 3 superou Bolsonaro. Na taxa de investimento, ficou para trás — mas por uma razão que não é mérito do antecessor, e sim o legado tóxico que ele deixou no comando do Banco Central.
O eleitor de 2026 não precisa escolher entre promessas. Precisa olhar para os números e decidir se aprova o que está aí. Os números dizem que o país que a direita chamava de “quebrado” hoje cresce, emprega e alimenta melhor. O referendo tem resposta — e ela está na mesa, no emprego e no prato do trabalhador.
TABELA COMPARATIVA
Bolsonaro (2019–2022) × Lula 3 (2023–2026)
1. PIB acumulado
Bolsonaro: 5,6% no quadriênio
Lula 3: ~11%* (2026 em andamento)
Leitura: crescimento quase dobrou
2. Inflação (IPCA acumulado)
Bolsonaro: ~27% no quadriênio; comida +54,2%
Lula 3: 17,9%, a menor desde o Plano Real; comida +13,6%
Leitura: menor inflação da história da moeda
3. Desemprego (% da população economicamente ativa)
Bolsonaro: pico de ~14% na pandemia
Lula 3: 5,3%, menor taxa da série histórica
Leitura: desemprego no menor patamar já registrado
4. Taxa de investimento (% do PIB)
Bolsonaro: 18% (2022)
Lula 3: 16,8% (2025)
Leitura: única derrota — juro alto segurou o investimento produtivo
5. Renda do trabalho
Bolsonaro: R$ 3.310 nos últimos 3 meses de 2022.
Lula 3: R$ 3.795 no trimestre até março/2026.
Leitura: poder de compra do trabalhador ampliou, fortalecendo o mercado interno
6. Desigualdade (Gini, quanto mais perto de zero melhor)
Bolsonaro: 0,518 (2022)
Lula 3: 0,487 (2024, recorde); 0,493 (2025)
Leitura: queda em relação a Bolsonaro, mas piora em 2025
7. IDH (quanto mais próximo de 1 melhor)
Bolsonaro: 0,754 (médio)
Lula 3: 0,805 (2024), primeiro “muito alto desenvolvimento humano”
Leitura: avanço histórico, com defasagem do PNUD
8. Homicídios (mortes violentas intencionais)
Bolsonaro: ~47 mil (2022)
Lula 3: 40,8 mil (2025), menor desde 2012
Leitura: queda acelerada, mas iniciada antes
9. Feminicídios
Bolsonaro: recorde em 2022 (~1,4 mil)
Lula 3: 1.475 (2023) a 1.568 (2025), com queda em 2026 após o Pacto
Leitura: herança estrutural da misoginia bolsonarista; política pública começa a virar a curva
10. IDEB (indicador da educação básica – anos iniciais)
Bolsonaro: 5,8 (2019)
Lula 3: 6,3 (recorde)
Leitura: fluxo escolar melhorou
11. SAEB (indicador de aprendizado)
Bolsonaro: nível pré-pandemia 2019
Lula 3: ainda abaixo do pré-pandemia em todas as etapas
Leitura: recuperação incompleta — fluxo melhorou, aprendizado ainda não voltou
12. Mortalidade infantil (por mil nascidos vivos)
Bolsonaro: 12,5 (2022)
Lula 3: 12,3
Leitura: leve queda, comparativo distorcido pela pandemia
13. Bolsa de Valores brasileira
Bolsonaro: 109.735 pontos (alta de 24,9% no quadriênio)
Lula 3: 197.323 pontos (alta de 79,8% sobre Bolsonaro)
Leitura: valor das empresas brasileiras quase dobrou com o atual governo
14. Vendas do varejo (variação anual acumulada no quadriênio)
Bolsonaro: 6,2%
Lula 3: 8% (referentes somente ao período 2023-2025)
Leitura: sob Lula, o varejo acelerou para 4,7% em 2024, a maior alta em mais de uma década, e renovou recordes históricos de volume em 2026. É o consumo popular — renda e emprego em alta — puxando a economia, não o rentismo.
15. Roubos totais no Brasil (crimes de subtração sob ameaça violenta)
Governo Bolsonaro
2019: 927.898 ocorrências
2020: 523.820 (queda brutal — efeito pandemia, menos gente na rua)
2021: 979.644 (retomada)
2022: 976.542 (variação -10,9% sobre 2021)
Total do quadriênio: 3.407.904
Governo Lula 3
2023: 870.320 (variação -10,9% sobre 2022)
2024: 745.193 (variação -14,4% sobre 2023)
2025: 610.959 (variação -18,3% sobre 2024)
2026: em andamento
Acumulado 2023–2025: 2.226.472
Fontes: IBGE, Ipea, Pnad Contínua, Caged, PNUD, Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Inep, Ripsa, Ministério da Saúde, B3.
