Enquanto o desgoverno anterior sucateou a saúde pública e abandonou o tratamento de câncer à própria sorte, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) realizou nesta terça-feira (23) uma entrega simultânea de aceleradores lineares de alta tecnologia que marca um feito inédito na história do Sistema Único de Saúde (SUS). Pela primeira vez desde a criação da rede pública de saúde, todos os 27 estados da federação contam com pelo menos um centro de radioterapia integrado ao SUS.
A cerimônia aconteceu em três frentes simultâneas: o Hospital Santa Marcelina, na zona leste de São Paulo; o Instituto do Câncer do Ceará (ICC), em Fortaleza; e o Hospital Santo Antônio, em Sinop, no Mato Grosso.
O maior programa de radioterapia do planeta
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou que as aquisições do programa somam 105 aparelhos oncológicos em três anos — a maior compra mundial de equipamentos de radioterapia já registrada. O investimento total passa de R$ 166 milhões em modernização e custeio assistencial, dentro do programa Agora tem Especialistas e do Novo PAC Saúde.
O presidente Lula foi direto ao ponto durante a solenidade em São Paulo:
“O que nós queremos é que, independentemente do lugar onde mora, da cor, da religião, do partido, todos tenham direito a um tratamento igual, justo e de boa qualidade.”
Uma declaração que contrasta brutalmente com o governo anterior, que congelou gastos em saúde e relegou o tratamento oncológico a um problema a ser resolvido pela filantropia.
Impacto real na vida de quem precisa
Os números mostram que o investimento não é apenas propaganda. No Hospital Santa Marcelina, que atende 4,5 milhões de habitantes na zona leste de São Paulo, o novo acelerador linear vai reduzir o tempo de espera para início da radioterapia de 45 dias para 7 a 10 dias. Um salto de mais de 30% na capacidade de atendimento.
A diretora-presidente da instituição, Irmã Rosane Ghedin, detalhou que a oncologia representa cerca de 30% das internações do hospital, que realiza 2.400 cirurgias oncológicas e mais de 28 mil sessões de quimioterapia por ano. Com a nova tecnologia, a estimativa é saltar de 1.600 para 2.160 pacientes atendidos anualmente em radioterapia.
O vice-presidente Geraldo Alckmin, que é médico e estava presente na solenidade, resumiu o sentido da urgência do tratamento oncológico: “A velocidade faz diferença no tratamento do câncer. Quanto mais rápido o diagnóstico, quanto mais rápido o tratamento, salva vidas.”
Fim das viagens da morte no interior do Brasil
Em Sinop, no Mato Grosso, o impacto é ainda mais dramático. Sem radioterapia pública, pacientes do interior precisavam enfrentar até 2 mil quilômetros de deslocamento para conseguir tratamento em Cuiabá. João Carlos Girard, representante do Hospital Santo Antônio, descreveu a realidade cruel que agora começa a mudar: “Sendo 1.000 quilômetros, ida e volta, e no extremo norte do estado os pacientes se deslocam até 2.000 quilômetros. Esse aparelho vai trazer um alento a essas famílias.”
Em Fortaleza, o novo equipamento no Instituto do Câncer do Ceará utiliza a técnica de hipofracionamento, que aplica menor número de doses de radiação e aumenta em 30% a capacidade de atendimento.
Reconstrução e dignidade para mulheres
O ministro Padilha também anunciou um avanço histórico na saúde da mulher: a nova tabela do programa Agora tem Especialistas para procedimentos de reconstrução mamária após mastectomia passa a pagar aos hospitais até oito vezes mais do que o valor anterior. “Pela primeira vez no SUS, em 2025, nós fizemos mais cirurgias de reconstrução mamária do que mastectomia”, informou.
Para fechar, Lula anunciou que, até o final do ano, o governo colocará em circulação 150 carretas adaptadas de exames, com foco na saúde da mulher, e 800 vans odontológicas para atendimento direto nas periferias e estradas do Brasil.





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