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mamata de Javier Milei
Ezequiel Acuña é cofundador de um site neofascista, abandonou o curso de Ciência Política e agora tenta entrar na faculdade de direito. Foto: Reprodução Redes Sociais
GEOPOLÍTICA

Meritocracia de Milei é cabide para influencer

Militante digital ganha R$ 286 mil em estatal nuclear

A “motosserra” de Javier Milei parece ter dentes de borracha quando o assunto é sustentar a própria militância. Ezequiel Acuña, um influenciador de redes sociais de apenas 23 anos e sem qualquer graduação concluída, acaba de ser premiado com o cargo de subgerente na Nucleoeléctrica Argentina. A estatal, responsável pelas usinas nucleares do país, agora paga ao jovem o salário nababesco de 13 milhões de pesos mensais — algo em torno de R$ 286 mil. Enquanto a Argentina mergulha no caos e o povo substitui o bife de chorizo por carne de burro para sobreviver à inflação, a casta mileísta se farta no banquete nuclear.

Conhecido no X como @elpasante, Acuña é o exemplo vivo da “meritocracia de rede social”. Cofundador do portal La Derecha Diario, o rapaz abandonou o curso de Ciência Política e hoje tenta cursar Direito. No currículo, a audácia: afirma ter “capacitação suficiente” para o mercado. Pelo visto, a única capacidade exigida foi o apoio digital fervoroso ao governo. Antes de chegar à estatal, ele já orbitava o Estado como assessor na Câmara e gestor de redes na Radio y Televisión Argentina (RTA), onde faturava 10,5 milhões de pesos.

Cientistas fogem enquanto militantes lucram

A nomeação é um tapa na cara da comunidade científica argentina. O governo Milei paralisou projetos estratégicos como o reator CAREM e o RA-10, forçando engenheiros e físicos nucleares de carreira a abandonarem o país por causa dos salários miseráveis. No vácuo deixado pela inteligência argentina, entra um operador de memes. A Nucleoeléctrica, que gere Atucha I, Atucha II e Embalse, agora tem na liderança um sujeito que, até ontem, vivia de atacar quem “vivia do Estado”.

Hipocrisia em alta voltagem

O xilique da extrema-direita contra políticas de cotas e investimentos públicos some quando o dinheiro é para os “seus”. Acuña, que construiu carreira condenando o gasto público, agora é o símbolo do privilégio que fingia combater. É a ironia ácida de um governo que prega o livre mercado, mas usa a estrutura estatal para blindar seus soldados digitais com remunerações que a maioria dos argentinos jamais verá, nem se vivesse dez encarnações. Para o povo, a carne de burro; para os amigos do rei, o luxo atômico.

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