O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), indicado ao cargo por Jair Bolsonaro sob a alcunha de “terrivelmente evangélico”, deu uma escorregada institucional que lança suspeição sobre sua atuação como magistrado. Ao autorizar a nona fase da Operação Compliance Zero contra o senador Jaques Wagner (PT-BA), Mendonça quebrou o protocolo republicano e ordenou expressamente que a Direção Geral da Polícia Federal não fosse informada sobre a ação.
O diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, foi pego de surpresa enquanto acompanhava o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na cúpula do G7. Em operações normais, como a que prendeu o ex-presidente do INSS na Operação Sem Desconto, a cúpula da PF é avisada com antecedência para comunicar o Palácio do Planalto. Desta vez, o relator do caso Banco Master no STF impôs um sigilo atípico, isolando o comando da polícia. Nunca acontecera desta forma.
A manobra para salvar Flávio Bolsonaro
A quebra da normalidade institucional assinada por Mendonça pode ser um acaso jurídico, mas parece mesmo é com uma operação de resgate político. O bolsonarismo sangra nas pesquisas de intenção de voto após o vazamento de um áudio em que o senador Flávio Bolsonaro chama o ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro de “irmão” e mendiga milhões para financiar um filme sobre o próprio pai. Com a base extremista desmoralizada pela relação promíscua com o crime financeiro, a extrema direita precisava desesperadamente de um fato novo para estancar a sangria.
Ao forçar uma operação espetaculosa contra um quadro histórico do Partido dos Trabalhadores, o ministro bolsonarista entregou a cortina de fumaça perfeita. A tática é nivelar todos por baixo, criando uma falsa equivalência para blindar a família Bolsonaro do escândalo do Banco Master.
Para a classe trabalhadora, o episódio escancara que o Judiciário não é um terreno neutro. Quando a burguesia precisa proteger seus operadores e seus políticos de estimação, a lei é torcida e os protocolos são rasgados. A operação contra Wagner, nos moldes em que foi desenhada por Mendonça, cheira a desespero de uma extrema direita que tenta usar a toga para sobreviver ao próprio derretimento político.





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