Flávio Bolsonaro (PL) é o candidato da extrema direita no Brasil. Ele já disse que os brasileiros olham para a América do Sul “com um pouco de inveja” e prometeu que, se eleito, o Brasil será “irmão mais do que nunca” da Argentina de Javier Milei. Pois bem: na Argentina, o governo de extrema direita está fazendo com que o povo peça dinheiro emprestado nos bancos para comprar comida e pagar aluguel. É esse o país que o candidato quer abraçar.
O endividamento deixou de ser uma ferramenta para ter acesso à casa própria, comprar um carro ou reformar a casa. Para milhões de argentinos, contrair dívidas se tornou uma forma de complementar uma renda que já não é suficiente para cobrir as necessidades básicas. A organização Endeudados Organizados alerta que essa realidade atinge mais de 20 milhões de pessoas.
O jantar que sai do empréstimo
“Cada vez mais pessoas estão se endividando para comprar alimentos e medicamentos, renovar ou pagar o aluguel, além de cobrir serviços e impostos”, explicou Vanesa Bittoco, representante da organização.
“O crédito que se toma hoje é para complementar a renda salarial. Não é uma televisão nem um carro. Hoje estamos apenas tentando sustentar tudo com arame”, afirmou.
A situação se agrava com as condições de financiamento. Bittoco alertou que algumas carteiras digitais aplicam taxas que, dependendo da pessoa e de seu scoring, podem variar de 30% a 1.370%. Ou seja: além de se endividar para sobreviver, o trabalhador argentino paga juros que beiram a usura para ter o direito de comer e morar.
A ‘inveja’ que a extrema direita quer vender
Na semana passada, a reivindicação chegou novamente ao Congresso argentino, em uma jornada que reuniu diferentes setores afetados pelas políticas do governo de Javier Milei. A cena é a síntese do país que Flávio Bolsonaro elogia: um lugar onde o povo precisa se endividar para pagar o aluguel e a comida, enquanto o governo de extrema direita corta direitos e entrega o Estado ao mercado.
Foi o próprio Flávio quem, em evento conservador em Buenos Aires, em junho, disse que os brasileiros sentem “inveja” dos vizinhos sul-americanos e prometeu que o Brasil será “irmão mais do que nunca” da Argentina. A Frente Livre pergunta: é esse o futuro que a extrema direita brasileira quer para o Brasil? O mesmo Flávio que chama a Argentina de irmã quer trazer para cá a receita de Milei: arrocho, corte de direitos e um povo que depende do banco para comer. No país que o candidato admira, o jantar sai do empréstimo. Quem quiser esse modelo, que o tenha. O povo brasileiro merece mais do que viver de dívida para sobreviver.
