O julgamento desta quinta-feira (23) no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) trouxe um novo avanço — mas apenas na parte processual — do caso que investiga a governadora bolsonarista do Distrito Federal, Celina Leão (PP), e outros réus acusados de envolvimento no suposto esquema de corrupção investigado na Operação Drácon.
A sessão foi realizada na 3ª Turma Criminal do TJDFT e analisou um recurso interno apresentado pela defesa de um dos investigados. Esse tipo de recurso é usado quando a defesa tenta reverter uma decisão tomada dentro do próprio tribunal, sem discutir ainda se o réu é culpado ou inocente.
Os desembargadores decidiram por unanimidade rejeitar esse pedido. Ou seja:
- não houve discussão sobre as acusações em si,
- não houve absolvição,
- e não houve condenação.
Com isso, a ação segue tramitando na Justiça do DF, sem previsão de quando haverá um julgamento sobre o mérito — ou seja, sobre a culpa ou não dos réus.
Além da bolsonarista Celina Leão, também são réus:
- o deputado federal Júlio Cesar Ribeiro (Republicanos),
- o ex-deputado distrital Cristiano Araújo (MDB),
- o ex-deputado Bispo Renato Andrade (PL).
O que é o caso Drácon?
O Ministério Público acusa os investigados de integrarem um esquema de cobrança de propina para liberar emendas parlamentares destinadas à compra de leitos de UTI entre 2015 e 2016, quando Celina Leão era presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF).
Em um outro processo ligado ao caso, os réus já haviam sido absolvidos da acusação de corrupção passiva. Essa absolvição, porém, não elimina a ação que ainda tramita agora no TJDFT — são processos diferentes dentro do mesmo escândalo.
Quais são as consequências políticas possíveis?
O futuro político de Celina Leão depende diretamente do desfecho desta ação. A principal cabo leitoral dela neste momento é a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro, cuja base evangélica rejeita casos explícitos de corrupção — se forem “implícitos”, como as rachadinhas de Flávio Bolsonaro e o dinheiro de Queiroz depositado nas contas de Michelle, eles até fingem não ver. Mas um julgamento rumoroso, pode custar o apoio.
Além disso, condenada em segunda instância por improbidade administrativa, Celina pode ser enquadrada na Lei da Ficha Limpa, ficando impedida de disputar eleições.
Ou seja: a decisão desta quinta-feira não muda sua situação atual, mas mantém aberto o caminho para um eventual julgamento que poderá torná-la inelegível.




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