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Presidente Lula discursa na Feira Brasil na Mesa, na Embrapa Cerrados, Planaltina - DF. Foto: Ricardo Stuckert/PR
BRASIL

Pesquisa mostra Lula na frente e país em alerta social

Segurança e endividamento afetam disputa eleitoral

A nova rodada da pesquisa BTG/Nexus, divulgada hoje (27), confirma a manutenção do cenário nacional de 2026: Lula lidera o primeiro turno com 41%, Flávio Bolsonaro aparece com 36%, e todos os demais candidatos não rompem a barreira da irrelevância estatística. No segundo turno, os dois principais nomes empatam em 46%, revelando uma disputa nacional completamente sedimentada na polarização e cada vez mais dependente da percepção econômica e da agenda de segurança pública.

Segurança é o novo centro da política brasileira

Entre todos os recortes da pesquisa, um dado acendeu sirenes no Palácio do Planalto: segurança pública se tornou, pela primeira vez, o principal problema do país, citado por 25% dos entrevistados — superando desemprego, inflação e saúde. A mudança no topo da lista não é trivial. Ela desafia a narrativa econômica clássica das campanhas progressistas e entrega à extrema direita munição retórica sobre “ordem”, “lei” e “autoridade”, elementos que historicamente fortalecem candidaturas conservadoras.

A pesquisa mostra que o tema é transversal: aparece com força entre evangélicos, classes médias urbanas e moradores do Sudeste — bases em que o bolsonarismo ainda tem vantagem.

Para uma gestão que se propõe reconstruir o Estado social após o desmonte dos anos Bolsonaro, o avanço da insegurança como preocupação nacional impõe urgência narrativa e institucional. Não à toa, assessores já admitem que segurança pode se tornar o eixo determinante da campanha.

Endividamento explode e cria terreno hostil para Lula

Outra dimensão crítica do relatório é o endividamento. Segundo o BTG/Nexus, 53% dos brasileiros têm dívidas, e 17% afirmam que elas consomem quase toda a renda mensal. Entre os endividados com atraso superior a 30 dias, Flávio Bolsonaro vence Lula tanto no primeiro quanto no segundo turno — um alerta vermelho para o governo.

A pesquisa também aponta que apenas 31% avaliam a situação financeira pessoal como “boa” ou “ótima”. A economia “igual ou pior que 2022” é a percepção dominante entre quem pretende votar na oposição. A equação é simples: enquanto o governo tenta comunicar avanços macroeconômicos, o eleitor sente dificuldades concretas no cotidiano.

Polarização intacta, mas terreno em movimento

Apesar da estabilidade nos números, o relatório revela que a disputa está longe de ser estática. Segurança pública e endividamento — dois temas de experiência imediata — têm peso crescente e podem redesenhar a disputa. Em 2026, a eleição será menos sobre ideologia e mais sobre sobrevivência.

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