A guerra deflagrada pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã já fez o preço do petróleo explodir no mercado internacional, mas o consumidor brasileiro tem um escudo. A nova política de preços da Petrobras, implementada no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dá ao Brasil a capacidade de resistir por até quatro semanas antes de repassar qualquer alta para as bombas. Ao abandonar a submissão automática às cotações estrangeiras, a estatal garante um amortecedor vital contra a crise no Oriente Médio.
“Se estivesse na política anterior, a gasolina já estaria mais cara na refinaria e nos postos”, cravou.
“Isso ainda nem chegou aqui para os postos, mas já tem muita gente surfando na onda dessa tragédia para se aproveitar.”
Soberania estratégica e matemática
O fôlego brasileiro não é mágica, é soberania. A política atual reconhece uma obviedade que o mercado financeiro tentava ignorar: o Brasil produz o próprio petróleo e refina a maior parte do combustível que consome, com custos em reais. “Não podemos nos desgarrar totalmente da referência internacional, mas também não podemos agir como se fôssemos um importador absoluto”, explicou Prates.
Além disso, a alta do barril — que pode bater os US$ 100 com o prolongamento do conflito — aumenta a receita das exportações brasileiras, que superam 1 milhão de barris por dia. Essa balança permite à estatal segurar o impacto interno. “Você ganha mais na exportação de petróleo cru e consegue abrir mão de parte da margem no mercado interno”, resumiu o senador, defendendo o papel estratégico de uma empresa sob controle do Estado.
O lucro de Washington e o gargalo global
Enquanto o mundo entra em pânico com a inflação, Washington fatura. Prates apontou que os Estados Unidos são os grandes beneficiados econômicos da guerra que ajudaram a iniciar. Sendo o maior produtor mundial de petróleo e líder nas vendas de Gás Natural Liquefeito (GNL), os norte-americanos ocupam o vácuo deixado pela paralisação do Catar. Com o fornecimento catari interrompido, a Ásia e a Europa tornam-se ainda mais dependentes do gás estadunidense. “O preço do gás explodiu ainda mais do que o do petróleo. Só no gás natural já se ganha muito”, alertou.
O epicentro do colapso logístico é o Estreito de Ormuz, um corredor de apenas 30 quilômetros de largura por onde escoa 20% do petróleo comercializado no planeta. Prates comparou o local a uma “rodovia de pista simples”, extremamente vulnerável. “Se eu quiser fechar o estreito, basta dizer que está tudo apontado para os navios. Eles são naturalmente inflamáveis, especialmente os de gás natural. Ninguém quer passar”, explicou. Com o tráfego bloqueado, o estrangulamento da oferta global é uma realidade concreta, testando a resiliência das economias — e provando, na prática, o acerto da atual política de preços da Petrobras.






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