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Sede e primeira página da edição 1 do Hamshahri, jornal de maior circulação no Irã: site invisível para o mundo. Fotos: Wikipedia
GEOPOLÍTICA

Apagão digital dos EUA oculta jornais do Irã

Censura tecnológica permite que EUA e Israel manipulem a informação

Os jornais, sites e emissoras on-line do Irã estão invisíveis para o Ocidente. Os Estados Unidos impuseram um bloqueio digital sem precedentes contra o país persa. A medida impede que usuários nas Américas e na Europa acessem qualquer veículo de comunicação iraniano. Jornais tradicionais como Hamshahri, Tehran Times, Kayhan desapareceram da internet ocidental. Uma lista completa desses veículos censurados está documentada publicamente na Wikipedia.

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Erro de acesso mostrado em navegadores do ocidente a quem tenta acessar o Tehran Times, jornal de apoio à revolução islâmica. Foto: Reprodução internet

Quase que como prova viva da tática de censura tecnológica, na noite do domingo (1), apenas a versão digital do Ettela’at, que é um veículo crítico à revolução islâmica, estava no ar, dispovível a navegadores do ocidente. Nela, Trump é noticiado como um libertador.

O apagão digital não é uma falha técnica. Trata-se de uma tática deliberada de guerra de informação. O objetivo de Washington é monopolizar a narrativa sobre o conflito. Sem o contraponto da imprensa local, os EUA pautam a opinião pública global.

A Frente Livre testou o bloqueio na prática. A reportagem tentou acessar os portais iranianos utilizando uma rede privada virtual (VPN). O teste simulou conexões a partir de servidores localizados nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia. O resultado comprovou a extensão da censura global. Nenhum desses caminhos digitais está aberto ao tráfego de dados. A barreira tecnológica é absoluta.

Fake news e o controle da informação

O perigo desse monopólio narrativo ficou evidente no último sábado. Após o assassinato do aiatolá Ali Khamenei, os EUA distribuíram uma informação falsa. A versão americana afirmava que a população de Teerã comemorava a morte do líder, caracterizado como um ditador hostil, odiado pelo próprio povo. A história era uma mentira fabricada. Contudo, sem acesso à imprensa iraniana, vários veículos brasileiros reproduziram a fake news. Eles publicaram a desinformação sem qualquer questionamento.

Na realidade, o Irã registrou manifestações massivas de luto. A população protestou duramente contra os Estados Unidos e Israel. O bloqueio midiático permitiu que a mentira circulasse livremente pelo Ocidente. A censura prévia transformou a imprensa internacional em refém de Washington.

Como funciona o bloqueio na internet

O apagão da mídia iraniana ocorre por meio de estrangulamento tecnológico. A internet global depende de infraestrutura controlada por empresas estadunidenses. O bloqueio é executado de forma técnica em três frentes.

Primeiro, ocorre o confisco de domínios internacionais. O governo dos EUA controla terminações globais como “.com” e “.net”. Eles podem desativar os endereços dos jornais iranianos registrados nessas bases.

Segundo, há o bloqueio do Sistema de Nomes de Domínio (DNS). O DNS funciona como a lista telefônica da internet. Ele traduz o nome do site para o endereço numérico do servidor. Provedores ocidentais são instruídos a apagar os registros de sites iranianos. Assim, o navegador do usuário não encontra o caminho para a página.

Por fim, existe o bloqueio físico de rotas de IP. Os grandes cabos e roteadores centrais barram o tráfego de dados. Eles impedem conexões com servidores localizados dentro do Irã. O site iraniano continua existindo e funcionando normalmente no país. No entanto, a ponte digital que o liga ao Brasil é destruída.


>> Todas as notícias sobre o Irã.

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