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prisão domiciliar de Bolsonaro
Prisão domiciliar de Bolsonaro pode ser estendida. Defesa alega crise de soluço para manter golpista longe da Papuda.
BRASIL

Se voltar à cadeia, Bolsonaro morre de soluço, diz defesa

STF decide se golpista volta à Papuda ou continua no sofá

A defesa de Jair Bolsonaro (PL), ex-presidente neofascista condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, protocolou no STF (Supremo Tribunal Federal) um pedido de extensão da prisão domiciliar. Os advogados querem que o ministro Alexandre de Moraes prorrogue o benefício “pelo prazo que se repute adequado”. O argumento? Crise de soluço.

O pedido ocorre às vésperas do fim do prazo de 90 dias da prisão domiciliar humanitária concedida em março, quando Bolsonaro tratava uma broncopneumonia. Esse prazo acaba a meia noite de hoje. Agora, a equipe médica do ex-presidente alega que é necessário realizar exames complementares e cita “recorrentes crises de soluço” como justificativa para mantê-lo em casa.

A farsa, no entanto, desmorona diante dos próprios atos do beneficiado. Enquanto os advogados vendem a imagem de um homem à beira da morte, a defesa protocolou simultaneamente um pedido para que ele recebesse visitas no dia da estreia do Brasil na Copa do Mundo. Moraes autorizou a entrada da nora e das netas.

O histórico do privilégio

Bolsonaro está em casa desde 24 de março, após receber alta hospitalar. Antes, cumpria pena no 19º Batalhão da Polícia Militar, conhecido como Papudinha. Vivia em uma cela de 64,8 metros quadrados com área externa, banheiro, cozinha, lavanderia, quarto e sala. Nada comparado à superlotação que o sistema reserva ao trabalhador pobre.

O próprio Bolsonaro foi preso em regime fechado em novembro de 2025, depois de romper a tornozeleira eletrônica com uma solda na véspera de uma vigília convocada pelo filho Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A tornozeleira rompida acionou o sistema de monitoramento. Presume-se que era um plano de fuga, malfadado por causa da trapalhada com a tornozeleira.

A justiça de classes em ação

A situação expõe a seletividade do sistema penal brasileiro. Se um trabalhador comum estivesse condenado por tentar um golpe de Estado, nenhuma crise de soluço o tiraria de uma cela superlotada. Bolsonaro, no entanto, tenta transformar a prisão domiciliar em camarote para a Copa. A domiciliar o proíbe de usar celular, redes sociais e gravar áudios ou vídeos. Em caso de descumprimento, pode voltar ao regime fechado.

Moraes deve enviar o pedido à Procuradoria-Geral da República (PGR) para manifestação. Cabe ao STF decidir se engole a encenação médica ou faz valer a lei. Lugar de golpista condenado não é no sofá de casa assistindo a jogo de futebol. É atrás das grades.

 

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