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BRASIL

Quando o imposto pesa, não é porque o Estado cobra demais — é porque os ricos fogem da conta

Enquanto pobres pagam no arroz e no gás, ricos seguem isentos. Reforma de Lula quer mudar isso

Na mais recente encenação da elite ofendida, o colunista José Roberto Guzzo, da revista Oeste, vocifera que “o brasileiro comum” trabalhou cinco meses em 2025 apenas para pagar impostos. Compara o povo a escravos da senzala e culpa o governo Lula por querer “extorquir” ainda mais da população. Fala em nome dos “brasileiros”. Mas que brasileiros?

Porque quando o colunista diz “brasileiros”, ele não está falando dos bilionários da Faria Lima, dos herdeiros blindados por holdings internacionais, dos donos de jatinhos e iates que sequer pagam IPVA. Ele fala dos pobres, que pagam impostos todos os dias, no arroz, no pão, na luz, no gás de cozinha. E mente ao dizer que o governo quer cobrar mais desses mesmos pobres — quando, na verdade, o que Lula propõe é algo simples: taxar os super-ricos.

A proposta do Governo Federal de reforma no Imposto de Renda visa corrigir uma das maiores distorções do sistema tributário brasileiro: quem tem muito paga proporcionalmente menos do que quem tem pouco. Enquanto um trabalhador com carteira assinada vê o desconto do IR direto no contracheque, bilionários vivem de lucros e dividendos não tributados. A conta é perversa e vergonhosa. E só existe porque há resistência — no Congresso, na mídia, nos salões confortáveis onde o Brasil nunca chegou de verdade.

O editorial alarmista que circula por aí escamoteia essa verdade. Prefere jogar os pobres contra o próprio Estado que os ampara. Ignora que programas como o Bolsa Família, o Farmácia Popular e a educação pública existem graças aos impostos. Sim, o Estado precisa de recursos. A pergunta é: quem deve pagar essa conta?

O que se vê hoje não é um “Estado faminto”, como gritam os colunistas engravatados, mas um país que tenta corrigir a rota. Um governo que, ao propor a taxação dos mais ricos, enfrenta não apenas o lobby dos privilegiados, mas também uma mídia corporativa empenhada em manter a desigualdade como se fosse destino.

Querem nos fazer acreditar que cortar gastos sociais é a única saída. Que garantir direitos é luxo. Que exigir justiça tributária é comunismo. Mas sabemos onde isso leva: ao aprofundamento da miséria, da violência, da exclusão.

Não. Não aceitaremos mais essa farsa. Se há alguém pagando demais, é quem sempre pagou. E se há alguém devendo, é quem sempre escapou.

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