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Réus tentam fugir das câmeras no STF: Braga Netto quer depoimento secreto no caso do golpe

Militar alega "violação de intimidade" ao pedir fim da transmissão ao vivo das audiências do STF

A defesa do general da reserva Walter Braga Netto protocolou nesta sexta-feira (6) um pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para que os depoimentos dos réus da tentativa de golpe de Estado não sejam transmitidos ao vivo pela TV Justiça. O julgamento histórico terá início na próxima segunda-feira (9), e prevê que os interrogatórios sejam exibidos em tempo real pelo canal oficial do Supremo e no YouTube.

Braga Netto, ex-ministro de Jair Bolsonaro (PL) e seu candidato a vice em 2022, é um dos oito réus da ação penal que investiga o “núcleo operacional” da conspiração golpista para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva. Ele deve prestar depoimento por videoconferência, já que está preso desde dezembro de 2024 por tentar interferir nas investigações e acessar ilegalmente informações da delação premiada de Mauro Cid.

A transmissão ao vivo foi autorizada pelo relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, e tem sido considerada um marco de transparência na história do STF. Mas a defesa do general se opõe à medida. “Não é razoável que o ato mais importante de autodefesa seja realizado sob a mira de câmeras, sabendo-se que a inquirição não será objeto apenas dos autos, mas também será alvo de escrutínio público, em tempo real. Trata-se de negar absolutamente proteção à intimidade e privacidade”, argumentam os advogados.

Braga Netto é acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de obstrução de justiça, tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, organização criminosa armada, golpe de Estado, dano qualificado por violência e deterioração de patrimônio público. As penas, somadas, podem chegar a 40 anos de prisão.

Entre os dias 9 e 13 de junho, Moraes vai interrogar presencialmente os oito integrantes do núcleo militar e político da trama golpista. O primeiro a depor será Mauro Cid, delator-chave. O ex-presidente Jair Bolsonaro será ouvido entre os dias 10 e 11.

A tentativa da defesa de Braga Netto de blindar o réu do julgamento público reforça a contradição: quem tentou destruir a democracia agora quer escapar da transparência democrática. Com as audiências abertas, o STF reafirma que crimes contra o Estado não podem ser tratados como segredos de bastidores.


[TRANSPARÊNCIA EM JULGAMENTOS PENAIS]

País Transmissão ao vivo em tribunais superiores Exceções aplicáveis
Brasil Permitida, a critério do relator ou colegiado Pode ser restringida por segurança ou intimidade
EUA Autorizada em alguns estados; proibida na Suprema Corte Suprema Corte dos EUA não transmite sessões
Alemanha Em geral, vedada para proteger acusados Exceções em casos com grande interesse público
Reino Unido   Autorizada apenas para julgamentos civis ou recursos Câmeras são proibidas em julgamentos criminais
Argentina Transmissões são possíveis, com aprovação judicial Casos de corrupção têm precedentes televisivos

Fonte: Agência Brasil

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