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CULTURA & ENTRETENIMENTO

Samba é resistência cultural contra o modelo de consumo rápido e descartável

Com um repertório que homenageia nomes como Cartola, Nelson Cavaquinho, Candeia e Zé Keti, o projeto busca manter viva a memória dos grandes baluartes do samba

Há cinco anos, um grupo de amigos unidos pelo amor ao samba deu vida ao Terreiro de Mangueira, um projeto que nasceu no pé do morro carioca com um propósito claro: resgatar composições e compositores esquecidos do samba. Mesmo enfrentando os desafios de uma pandemia, o grupo se consolidou como uma roda de samba acústica, intimista e interativa, que acontece todo terceiro sábado do mês.  

O Terreiro de Mangueira não é apenas uma roda de samba; é um espaço de resistência cultural. Com um repertório que homenageia nomes como Cartola, Nelson Cavaquinho, Candeia e Zé Keti, o projeto busca manter viva a memória dos grandes baluartes do samba, ao mesmo tempo em que atrai um público diverso, de sambistas experientes a jovens curiosos. A cantora Teresa Cristina e outros nomes conhecidos, como Paulinho Henrique do Terreiro de Crioulo e Guesinha, filha de Dona Neuma, já passaram por lá, ajudando a dar visibilidade à proposta.  


Um projeto feito com amor e desafios  

Valmir Marques, cavaquinista e um dos produtores do Terreiro, conta que a ideia surgiu da vontade de fazer samba do jeito que o grupo gosta. “Resolvemos entre nós quatro, criamos coragem, conversamos com amigos e conseguimos chegar no que somos hoje”, explica. O espaço no Varandão, no pé do Morro da Mangueira, foi escolhido por sua conexão com a história do samba e por ser um local acessível ao público.  

Apesar do sucesso, manter o projeto não é fácil. O Terreiro de Mangueira é financiado pela bilheteria e pela venda de bebidas e comidas, e o lucro nem sempre cobre os custos. “Todos os músicos adoram o terceiro sábado do mês, porque aqui é onde a gente bebe da fonte, se realiza e faz o que gosta”, diz Lucia Maria, uma das produtoras. A prioridade é pagar o espaço, os músicos e o som, mas o verdadeiro objetivo é manter viva a chama do samba de raiz.  

O Terreiro de Mangueira não se limita a tocar clássicos; ele também abre espaço para a interação e o aprendizado. “Quem vem pela primeira vez, a gente fala: galera, vamos conversar lá atrás, aqui é para aprender”, explica Lucia. Essa proposta democrática atrai sambistas de outras rodas, como o Samba do Trabalhador e o Pagode da Garagem, além de personalidades como o jornalista Pedro Bassan e o ator Humberto Carrão.  

Questionados sobre a renovação do samba, os integrantes do grupo destacam que há espaço para todos, desde que haja qualidade. “Não existe fase ruim para o samba, e sim gerações e nichos diferentes”, afirma Aline Maia, produtora do projeto. Para eles, o importante é manter a essência e a alegria de fazer samba, sem se render a propostas que descaracterizem o projeto.  

Samba e política: uma conexão natural

Embora o Terreiro de Mangueira não se declare oficialmente vinculado a partidos ou movimentos políticos, sua essência é profundamente ligada à luta por igualdade e justiça social. Durante as eleições de 2022, o público que frequentava as rodas demonstrava apoio à democracia e ao então candidato Lula. Para os integrantes do grupo, o samba é, por si só, um ato político.  

“Somos mulheres negras, vivendo no Rio de Janeiro, fazendo samba e cultura popular dentro de uma comunidade. Isso, na sua essência, é uma atitude política”, ressalta Aline Maia. Aurea Monteiro, outra produtora, lembra que o samba sempre foi um instrumento de resistência, citando Candeia, que teve músicas censuradas durante a ditadura militar.  

Com quase 20 mil seguidores no Instagram, o Terreiro de Mangueira não busca crescer apenas nas redes sociais, mas sim fortalecer sua proposta no local onde tudo começou. “Queremos a participação das pessoas, que elas aprendam da maneira que a gente aprendeu”, diz Aline. O desafio é manter o projeto vivo, garantindo o sustento dos músicos e a qualidade das rodas, sem perder a essência que os tornou únicos.  

Em um mundo onde a cultura popular muitas vezes é negligenciada, o Terreiro de Mangueira é um farol de resistência. Com samba, alegria e muita dedicação, o grupo prova que, mesmo diante das dificuldades, é possível manter viva a chama de uma das maiores expressões da cultura brasileira.  

Fonte: Mídia Ninja

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