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CIÊNCIA & TECNOLOGIA

Senado aprova PL da Devastação e entrega licenciamento ambiental ao setor privado

Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência acusa proposta de fragilizar ecossistemas e enfraquecer papel do Estado na proteção ambiental

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) publicou nesta quinta-feira (22) uma nota pública criticando duramente o Projeto de Lei Geral do Licenciamento Ambiental, aprovado pelo Senado. A entidade afirma que a proposta é um risco grave para o meio ambiente e para a ciência brasileira, pois permite que os próprios empreendedores decidam se suas obras ou atividades causam impacto ambiental — sem que haja qualquer avaliação técnica feita por órgãos públicos.

Na prática, isso significa que uma empresa poderá declarar por conta própria que sua obra não traz riscos à natureza, dispensando análises feitas por biólogos, engenheiros ambientais, geólogos e outros profissionais. “O Brasil está abrindo mão da ciência e entregando aos interesses privados o futuro dos seus ecossistemas”, alerta a SBPC.

[O que muda com o projeto?]

Atualmente, qualquer atividade com potencial de causar impacto ambiental — como grandes obras, mineração, abertura de estradas ou novos empreendimentos industriais — precisa passar por um processo de licenciamento. Nesse processo, órgãos ambientais avaliam os riscos, escutam a população afetada e, quando necessário, impõem regras e compensações para reduzir os danos. Com o novo projeto, esse processo técnico pode ser substituído por uma simples declaração da própria empresa afirmando que não haverá impacto.

Segundo a SBPC, isso enfraquece o papel do Estado, desmonta a política ambiental brasileira e deixa os biomas ainda mais vulneráveis. “Não é o empresário, com interesses econômicos diretos, quem deve decidir se uma atividade é segura para o meio ambiente. Essa é uma responsabilidade do Estado, com base em ciência e análise técnica qualificada”, diz a nota.

[Por que isso é grave?]

A entidade compara o projeto a um “retrocesso estrutural”, similar ao que ocorreu durante a ditadura militar, quando decisões ambientais foram tomadas de forma autoritária, sem base científica e sem diálogo com a sociedade. A SBPC alerta que essa proposta esvazia a atuação dos órgãos ambientais e compromete o Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama), que há décadas coordena o controle e o licenciamento ambiental no país.

[Trechos da nota da SBPC]

“Não se pode atribuir ao interessado numa atividade econômica o controle sobre suas repercussões ambientais ou sociais. Ainda que tenha boas intenções, ele não terá capacidade técnica para avaliar os efeitos da atividade sobre o meio ambiente.”

“Trata-se de um esvaziamento das instituições públicas, da ciência, da razão crítica e do próprio espírito republicano que deve nortear a legislação ambiental brasileira.”

“A SBPC conclama a comunidade científica, ambientalistas e todos que defendem a vida, a biodiversidade e a justiça intergeracional, a se manifestarem contra o projeto e exigirem sua rejeição na Câmara dos Deputados.”

[E agora?]

O projeto ainda precisa passar pela Câmara dos Deputados. A SBPC pede que a sociedade se mobilize para impedir que essa proposta vire lei. Se for aprovada, ela pode abrir caminho para desastres ambientais, como rompimentos de barragens, desmatamentos em áreas protegidas e aumento da poluição.

[Por que importa?]

A legislação ambiental brasileira é uma das mais avançadas do mundo. Ela foi construída com base em ciência e em décadas de luta da sociedade. Abrir mão desse sistema para favorecer interesses econômicos de curto prazo é colocar em risco o futuro do meio ambiente e das próximas gerações.

Fonte: Jornal da Ciência

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