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Senado avança com anistia a Bolsonaro e aprova pacote do governo no mesmo dia

Em dia de acordos, oposição bolsonarista vota com governo em pauta econômica, enquanto projeto que reduz pena de Bolsonaro passa sem grande resistência da base governista na CCJ

O Senado Federal foi palco de um dos mais claros dias de negociação política do ano nesta quarta-feira (17). Em duas votações distintas, mas politicamente interligadas, a oposição bolsonarista garantiu o avanço do Projeto de Lei (PL) da Dosimetria, que pode reduzir a pena de Jair Bolsonaro a pouco mais de dois anos de cadeia, enquanto o governo Lula obteve uma vitória crucial ao aprovar seu pacote de aumento de arrecadação via tributação das BETs, com o voto favorável de seus maiores adversários.

O primeiro movimento ocorreu na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que aprovou por 17 votos a 7 o PL da Dosimetria. O texto, relatado pelo senador Esperidião Amin (PP-SC), foi aprovado em rito acelerado e, por meio de uma manobra regimental, deve seguir para o plenário sem precisar retornar à Câmara. A proposta é vista como uma anistia disfarçada para os condenados pelos atos de 8 de janeiro.

Horas depois, o plenário do Senado aprovou, por 62 votos a 6, o projeto do governo que aumenta a arrecadação ao cortar benefícios fiscais e taxar setores como o de apostas online (BETs). Com isso, o governo ganha uma folga de R$ 20 bilhões no orçamento de 2026. O ponto-chave da votação foi a orientação do PL, partido de Jair Bolsonaro, que encaminhou o voto “sim” à proposta, garantindo ao governo uma folga orçamentária importante para o ano eleitoral de 2026.

A estratégia do Planalto

Nos bastidores, a leitura é que houve um acordo tácito. O Palácio do Planalto teria “lavado as mãos” na tramitação do PL da Dosimetria no Congresso, evitando um confronto direto para barrar o projeto. A estratégia, segundo analistas, é deixar o Legislativo aprovar a medida e arcar com o desgaste político.

O plano do governo consiste em três etapas:

  1. Veto Presidencial: O presidente Lula vetará o projeto quando ele chegar à sua mesa, forçando o Congresso a uma nova votação para derrubar o veto.
  2. Ônus para o Congresso: Caberá aos parlamentares, e não ao governo, o ônus de sustentar publicamente a anistia a Bolsonaro e aos demais condenados.
  3. Decisão no STF: Independentemente do resultado no Congresso, o caso será inevitavelmente levado ao Supremo Tribunal Federal (STF), que dará a palavra final sobre a constitucionalidade da lei. O governo aposta que o STF derrubará a medida. Ou arcará com o ônus de validá-la. 

Enquanto essa batalha se desenrola, o governo garantiu sua principal prioridade do dia: a aprovação da tributação das bets e outras medidas fiscais, assegurando caixa para cumprir suas metas e programas em um ano eleitoral. A oposição, por sua vez, deu um passo decisivo para tentar livrar seu líder da prisão, mesmo que a decisão final ainda esteja distante.

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