Em visita na segunda-feira (17) ao navio-sonda da Petrobras em Oiapoque, no extremo norte do Amapá, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva transformou a descoberta de petróleo na Foz do Amazonas em uma afirmação política de soberania. Diante das pressões internacionais contra a exploração de combustíveis fósseis na região, Lula deixou claro que o Brasil pretende decidir por conta própria como utilizar suas riquezas naturais.
“Isso aqui significa soberania nacional. Um país que tem um petróleo dessa qualidade não vai permitir que ninguém meta o dedo nele”, afirmou.
A declaração é uma indireta certeira a Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, que anda com as garras afiadas em busca de petróleo barato na América Latina.
A lição da Venezuela
A mensagem de Lula não poderia vir em momento mais oportuno. O mundo assistiu, estarrecido, ao presidente Nicolás Maduro desembarcar algemado em Nova York, após os Estados Unidos bombardear Caracas e sequestrá-lo. Em coletiva de imprensa, Trump não apenas confessou que o petróleo é o alvo principal da invasão, como descartou publicamente a líder da oposição María Corina Machado, tratando-a como peça descartável no tabuleiro imperial.
“Vamos levar nossas grandes empresas petrolíferas – as maiores do mundo – para investir bilhões de dólares, consertar a infraestrutura destruída e voltar a gerar riqueza para o país”, discursou Trump. E foi ainda mais claro: “Vamos retirar uma quantidade tremenda de riqueza do solo”.
A Venezuela não foi invadida para ser libertada, mas para ser explorada. E as exigências de Trump para a vice-presidente Delcy Rodríguez ficar no poder eram simples: petróleo e submissão, transformando o país numa semi-colônia. O Itamaraty já avisou na Organização das Nações Unidas (ONU) que a criação de um protetorado americano na Venezuela “não seria bem-aceita” pelo governo Lula.
O petróleo que mudou tudo
A guerra do Irã elevou o preço global do petróleo e vem gerando instabilidade política e econômica dentro dos Estados Unidos. Trump precisa de petróleo barato. E é exatamente por isso que o Brasil, com a descoberta na Foz do Amazonas, virou alvo de cobiça imperial.
Lula lembrou que, às vésperas da Conferência das Partes (COP30), enfrentou pressões diplomáticas para não anunciar a intenção brasileira de prospectar petróleo na região. Preferiu colocar os interesses nacionais acima de eventuais descontentamentos externos.
“Muita gente queria que eu não declarasse que a Petrobras tinha conquistado a licença porque diziam que os europeus iam ficar chateados”, afirmou. “O que estava em jogo eram os interesses do país e da nossa empresa.”
A Petrobras anunciou na sexta-feira (14) a identificação de hidrocarbonetos no poço Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas, a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá, em águas profundas. A estatal prevê perfurar outros 15 poços na Margem Equatorial até 2030 e estima investimentos de US$ 2,5 bilhões na região no período.
Aqui manda o povo
O discurso de Lula também se insere em uma concepção mais ampla de desenvolvimento. A questão não é apenas quanto petróleo existe sob o oceano, mas quem decide sobre sua exploração, em quais condições e em benefício de quem. Essa dimensão explica a insistência do presidente na palavra “soberania”.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que acompanhou Lula na visita, foi explícito: “Deixem que nós, brasileiros, que lutamos pela defesa do Brasil, que nós decidamos o que nós queremos do Brasil”.
Enquanto Trump invade países para saquear o petróleo e algema presidentes, Lula reafirma que o Brasil decide o próprio destino. O petróleo da Foz do Amazonas é do povo brasileiro, não do império. E a mensagem ao presidente dos Estados Unidos é clara: tire as garras do Brasil. Aqui manda o povo.





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