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Tática do medo eleições
Em maio de 2014, o golpe de Estado na Tailândia deu início a cinco anos de governo militar. Durante este período, a junta suspendeu a constituição, proibiu manifestações e impôs um controle rígido sobre a mídia e as liberdades civis, marcando uma era de repressão política e forte influência militar sobre o país, cujos efeitos ainda ressoam na política tailandesa | Crédito: Xinhua
GEOPOLÍTICA

Como no Chile, medo elege direita na Tailândia

Partido governista usa conflito armado para se manter no poder; Brasil é o próximo alvo

A vitória do partido conservador Bhumjaithai nas eleições da Tailândia não é apenas um fato isolado do Sudeste Asiático. É um alerta estridente para o Brasil. O primeiro-ministro Anutin Charnvirakul garantiu sua permanência no poder (com cerca de 194 cadeiras) usando a mais velha e eficiente ferramenta da política reacionária: o medo.

Assim como a direita chilena voltou ao poder convencendo a população de que o país estava afundado na criminalidade, os conservadores tailandeses instrumentalizaram o conflito com o Camboja para se venderem como os únicos garantidores da ordem.

A Engenharia do Pânico

A campanha foi desenhada sobre cadáveres e trincheiras. O conflito fronteiriço, que deslocou 1 milhão de pessoas e matou dezenas em 2025, foi o cenário perfeito. Anutin não precisou apresentar propostas econômicas brilhantes; bastou dizer que a soberania estava em risco.

O paralelo com o Chile é inevitável. Lá, a campanha do vitorioso José Antonio Kast tinha uma nota só: a ordem contra o caos. Suas propostas, como construir muros na fronteira, enviar militares para combater o crime e deportar imigrantes em situação irregular, ecoaram em uma população assustada.

O manual da extrema-direita

A vitória de Kast repetiu outros líderes do novo fascimo na América Latina, como Javier Milei na Argentina e Nayib Bukele em El Salvador, que chegaram ao poder com plataformas semelhantes. O roteiro é o mesmo:

  1. Identificar um inimigo: O “criminoso” e o “imigrante ilegal” são transformados em bodes expiatórios para todos os problemas sociais.
  2. Prometer mão de ferro: A solução apresentada é sempre a força bruta, a militarização e a suspensão de garantias individuais em nome da segurança.
  3. Explorar o medo: A campanha martela incessantemente a sensação de insegurança, usando casos de violência isolados para criar uma narrativa de pânico generalizado.

O Aviso para o Brasil

O Brasil deve colocar as barbas de molho. Em ano eleitoral, a tática do medo já está contratada. Se na Ásia o espantalho é a guerra, aqui será a segurança pública. A extrema-direita brasileira vai explorar cada assalto, cada crise em presídio e cada operação policial para dizer que o país está à beira do abismo e que só a “mão de ferro” pode salvá-lo.

A vitória conservadora na Tailândia, mesmo com 60% da população pedindo reformas constitucionais no referendo, prova que o medo é capaz de anular o desejo de mudança. O povo quer menos militares na política (como mostrou o plebiscito), mas votou nos aliados dos militares porque estava com medo da guerra.

Contradição e Resistência

O cenário tailandês é esquizofrênico: o povo votou pela reforma da Constituição (anti-militar), mas elegeu o partido que sustenta o status quo militar. Isso acontece quando o debate racional é sequestrado pela emoção do pânico.

No Brasil, a receita será idêntica: tentarão convencer a classe média de que qualquer avanço progressista é um risco à sua propriedade e à sua vida. A Tailândia e o Chile já mostraram que essa tática funciona. Resta saber se o campo progressista brasileiro terá o antídoto contra o veneno do medo.

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