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quem é Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro na famosa foto com Sicário, o miliciano privado do corruptíssimo Daniel Vorcaro: Além dos rumores do vídeo quente numa festa imprópria, surge ex-aliado denunciando uso de drogas. Foto: Reprodução Redes Sociais
BRASIL

143 dias depois, o abraço de Vorcaro aperta Flávio

Enquanto banqueiro mofa na cadeia, o outro se dá com foto, áudio e milhões

Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, completou 143 dias preso na Papudinha. Visitantes relatam nervosismo. Enquanto ele mofa na cadeia, a teia de relações que construiu com a família Bolsonaro se desdobra em inquéritos, fotos constrangedoras e uma candidatura presidencial que afunda a cada revelação.

Do outro lado dessa teia, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, tenta explicar por que aparece numa foto ao lado do capanga de Vorcaro, por que chamou o ex-banqueiro de “irmão” em mensagens e por que o STF abriu um inquérito para investigar R$ 61 milhões que Vorcaro alegadamente repassou para o tal filme sobre a vida de Jair Bolsonaro.

Vorcaro: 143 dias e contando

A situação de Daniel Vorcaro na prisão não é confortável. Detido desde março, o ex-banqueiro corrupto aliado da extrema direita brasileira — que comandava um conglomerado financeiro investigado por fraudes bilionárias — acumula dias de reclusão na unidade prisional conhecida como Papudinha. Visitantes relatam nervosismo crescente.

Enquanto isso, seus advogados preparam uma nova ofensiva no Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar reverter as prisões preventivas. A defesa deve apresentar recursos à Segunda Turma do STF com dois pedidos: o relaxamento das prisões ou, como alternativa, a prisão domiciliar para os três investigados da família Vorcaro.

No julgamento de junho, a Segunda Turma manteve as prisões de Henrique e Felipe Vorcaro por três votos a um — André Mendonça, Luiz Fux e Nunes Marques contra, Gilmar Mendes a favor. O ministro Dias Toffoli declarou suspeição e não participou. A defesa aposta justamente no voto de Toffoli para reverter o placar quando os novos recursos chegarem ao tribunal, em agosto.

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O inquérito que não para de crescer

O STF autorizou a abertura de um inquérito da Polícia Federal para investigar os repasses de R$ 61 milhões feitos por Daniel Vorcaro à produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia ficcional do ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão é do ministro André Mendonça e tem parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).

O inquérito não vai investigar apenas o destino do dinheiro. Um dos eixos centrais da apuração é o levantamento das emendas parlamentares e das proposições legislativas do senador Flávio Bolsonaro. Os investigadores querem saber se alguma indicação orçamentária beneficiou o Banco Master ou interesses diretos de Vorcaro — o que configuraria uma contrapartida ilegal pelos recursos privados.

A PF vai apurar a origem, a movimentação financeira e o destino real dos valores, além da motivação por trás dos repasses. As hipóteses incluem corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Documentos revelados pelo Intercept Brasil indicam que Flávio negociou diretamente com Vorcaro um aporte ainda maior, estimado em US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões à época). O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou movimentações atípicas de US$ 12,3 milhões nesse percurso.

O capanga na foto

No dia 15 de julho, a jornalista Juliana Dal Piva, do ICL Notícias, publicou uma foto de Flávio Bolsonaro ao lado de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”, apontado pela Polícia Federal como chefe de uma gangue que monitorava e intimidava pessoas consideradas inimigas dos interesses de Vorcaro.

A imagem, tirada num churrasco à beira da piscina, mostra Flávio e Sicário descontraídos. O senador negou conhecer o homem da foto. Disse que qualquer um pode tirar uma foto com político. A versão não colou.

A foto com o capanga de Vorcaro não é um deslize. É a imagem que condensa toda a trama: o pré-candidato a presidente que chama de “irmão” um banqueiro preso, que aparece ao lado do chefe da milícia privada do banqueiro e que agora enfrenta um inquérito no STF sobre R$ 61 milhões que saíram do bolso de Vorcaro para, diz-se, financiar o filme do pai.

O nó cego

O cenário é desolador para a candidatura de Flávio Bolsonaro. Enquanto Vorcaro completa 143 dias na prisão e sua defesa tenta reverter as preventivas, o STF abre novos flancos de investigação. A foto com Sicário circula sem parar nas redes. O áudio em que Flávio chama Vorcaro de “irmão” não pode ser desdito. Os R$ 61 milhões precisam ser explicados.

A verdade é que a teia Vorcaro aperta de todos os lados. E, quanto mais aperta, mais difícil fica para Flávio sustentar a versão de que não sabia de nada.

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