Depois de semanas de mobilização nas universidades estaduais paulistas, o governo de Tarcísio de Freitas decidiu responder com violência. A Polícia Militar de São Paulo invadiu a reitoria da Universidade de São Paulo na madrugada de domingo (10), usando bombas, gás lacrimogêneo e cassetetes contra estudantes em greve. O ataque marca uma escalada de repressão em meio às reivindicações por políticas de permanência estudantil, moradia e alimentação.
O Diretório Central dos Estudantes da USP afirmou que a operação começou por volta das 4h15 e ocorreu sem decisão judicial de reintegração de posse. Segundo o movimento, houve feridos e ao menos quatro estudantes foram levados ao 7º Distrito Policial, onde prestaram depoimento antes de serem liberados. As entidades estudantis acusam o governo de aprofundar a política de medo para desmobilizar a greve iniciada em abril.
Deputadas acionam instituições contra truculência da PM
A reação política foi imediata. A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) anunciou que acionará a Procuradoria‑Geral de Justiça de São Paulo contra o governo estadual, a PM e a própria reitoria da USP. Para ela, a operação revela desprezo pelas demandas estudantis e pela mediação democrática.
Sâmia Bomfim (PSOL-SP) declarou que levou o caso à Corregedoria da Polícia Militar e ao Ministério Público.
“Estou acionando a Corregedoria da Polícia Militar e o Ministério Público para apurar a conduta ilegal e truculenta na última madrugada, quando a tropa de choque agiu com violência ao entrar na USP e agredir estudantes”, escreveu.
As deputadas lembram que o protesto era pacífico e tinha como foco exigir condições mínimas de permanência. Para Erika, “é um absurdo que o poder público se recuse a negociar, parta para a violência e que quatro estudantes tenham sido detidos por exercerem seu direito constitucional ao protesto”.
Repressão e austeridade caminham juntas
O ataque também ocorre no contexto de aprofundamento do arrocho promovido pelo governo Tarcísio. Estudantes e dirigentes sindicais denunciam há meses que o modelo de financiamento das universidades estaduais está defasado, enquanto políticas de austeridade avançam sobre o ensino superior público.
Ao mesmo tempo, a violência policial busca enfraquecer a crescente articulação entre USP, Unesp e Unicamp. Com a invasão deste domingo, novas assembleias e atos unificados estão sendo organizados. O governo de São Paulo, contudo, insiste em tratar mobilização estudantil como caso de polícia — um método historicamente associado a projetos autoritários.






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