O Ministério Público de São Paulo escancarou um esquema bilionário de corrupção na liberação de créditos de ICMS dentro da Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado, sob o governo Tarcísio de Freitas. A investigação cita empresas de grande porte como Carrefour, Casas Bahia, Kalunga, CAOA e Center Castilho e aponta o auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto como operador central da engrenagem criminosa.
Segundo os promotores, a estrutura teria movimentado mais de R$ 1 bilhão em propinas por meio de empresa de fachada. O núcleo do esquema funcionava dentro da máquina pública paulista, com acesso indevido a sistemas oficiais, manipulação de processos fiscais e liberação irregular de créditos tributários em favor de empresas privadas. Não se trata de desvio lateral. É corrupção instalada no coração do Estado.
Consultoria paralela para poucos privilegiados
As mensagens interceptadas indicam que o auditor atuava como uma espécie de consultor tributário paralelo, orientando executivos sobre documentação, aceleração de ressarcimentos e obtenção de créditos em desacordo com a legislação. No caso do Carrefour, a promotoria afirma que houve contato frequente entre Silva Neto e uma executiva da área tributária entre 2021 e 2025.
A Sefaz-SP diz que colabora com o Ministério Público e que mantém procedimentos administrativos contra servidores. Mas a dimensão do caso mostra algo maior: a repetição de uma lógica em que o Estado é capturado por interesses privados, enquanto a população paga a conta da sonegação, da fraude e da blindagem política.
Lavagem, cripto e a engenharia da impunidade
A operação também revelou uso de aplicativos criptografados, como Wickr e Session, para esconder comunicações, além de indícios de conversão de propinas em criptoativos e movimentação de recursos em contas no exterior. Segundo o MP-SP, o esquema envolvia ainda a empresa de fachada Smart Tax e profissionais que elaboravam documentos fiscais em nome de servidores públicos.
A apuração faz parte da Operação Fisco Paralelo, um desdobramento da Operação Ícaro. Foram cumpridos 22 mandados de busca e apreensão em cidades como São Paulo, Campinas, Vinhedo e São José dos Campos. Em uma das diligências, foram apreendidos dinheiro, moeda estrangeira e equipamentos eletrônicos.
O caso revela mais do que um crime financeiro. Mostra uma estrutura de poder que opera dentro do Estado, protege os grandes, socializa o prejuízo e transforma a máquina pública em balcão de negócios. No governo Tarcísio, a sujeira não está escondida no rodapé. Ela aparece na cúpula da arrecadação.






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